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Veterinários condenam abate indiscriminado de cães

Realizada a campanha de vacinação para prevenir a raiva no país. Foto da Direção Nacional da Veternária

DÍLI, 18 de agosto de 2025 (TATOLI) – A Associação de Médicos Veterinários de Timor-Leste (AMVTL) apelou, esta segunda-feira, ao Governo para que adotasse medidas de prevenção da raiva com base científica, condenando o abate de cães recentemente realizado nos municípios de Manufahi e Covalima.

Segundo um comunicado a que a Tatoli teve acesso, o Presidente da AMVTL, Olavio Morais, considera que o abate indiscriminado de cães constitui uma resposta “de pânico, desumana e sem base científica”, alertando que esta prática é internacionalmente reconhecida como uma estratégia falhada no combate à raiva.

“A raiva pode ser prevenida, mas a prioridade deve ser a vacinação massiva dos cães, não o seu abate. As operações de abate que ocorreram em Manufahi e Covalima não fazem parte de uma estratégia de controlo da raiva, mas sim de atos motivados pelo medo, com consequências contraproducentes”, lê-se no documento.

A associação recordou que as principais autoridades de saúde internacionais, como a Organização Mundial de Saúde, a Organização Mundial de Saúde Animal e a Aliança Global para o Controlo da Raiva, não recomendam o abate como solução para travar a propagação do vírus daquela doença.

De acordo com a AMVTL, investigações e experiências de vários países demonstram que o abate de cães não trava a transmissão da raiva, podendo inclusive agravar a situação. A prática gera medo, quebra a confiança da comunidade nas autoridades e dificulta a mobilização da população para campanhas de vacinação.

“O abate dos animais não só é desumano, como provoca resistência entre os donos, levando-os a esconder ou a levar os animais para outras zonas. Isso dificulta a vacinação e aumenta o risco de propagação da raiva para novas áreas”, refere.

A associação sublinha que os recursos usados para matar animais poderiam ser canalizados para programas de vacinação, reconhecidos globalmente como a medida mais eficaz e sustentável.

A AMVTL defende uma abordagem integrada, baseada no conceito Uma Só Saúde, que articula os setores da saúde pública, a veterinária, as autoridades locais e as comunidades. A estratégia inclui a vacinação massiva com uma cobertura de pelo menos 70%, o acesso rápido a tratamento médico para pessoas mordidas por cães, campanhas de educação sobre a importância da vacinação e a criação de abrigos para os animais capturados, onde possam ser observados e vacinados, de acordo com os protocolos.

Neste contexto, a AMVTL exige a suspensão imediata das operações de abate de cães em Manufahi, Covalima e noutras regiões do país, apelando ao Governo e ao setor privado para colaborarem numa campanha nacional de vacinação.

A associação termina com um apelo à população. “Cada cão vacinado protege não só uma família, mas toda a comunidade. Coopere com as autoridades na vacinação. A solução tem de ser científica, não violenta”, conclui.

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Equipa da Tatoli

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