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Santos aguarda proposta de acordo do Governo para avançar para nova fase de Bayu-Undan

Presidente da República, Ramos Horta, e o Diretor-Executivo da petrolífera Santos da Austrália, Kevin Gallagher. Imagem Tatoli/Egas Cristóvão.

DÍLI, 17 de setembro de 2026 (TATOLI) – A petrolífera australiana Santos aguarda uma proposta de acordo por parte do Governo de Timor-Leste para dar seguimento ao conceito de desenvolvimento do campo de Bayu-Undan.

O conceito inclui a possibilidade de transformar as atuais instalações num projeto de captura e armazenamento de carbono (CCS), segundo uma declaração escrita enviada pela empresa à Tatoli.

No documento, a empresa confirmou que o vídeo que circulou nas redes sociais, mostrando trabalhadores a desligar o sistema de energia das instalações de Bayu-Undan, no Mar de Timor, foi gravado no final de julho, mais de um ano após a interrupção de produção.

Segundo a Santos, foi implementado, durante 12 meses, um plano destinado a garantir que as instalações permanecessem seguras, protegidas e preparadas para a fase seguinte, tendo a operação sido encerrada definitivamente.

De acordo com a empresa, as instalações de Bayu-Undan permanecem atualmente preservadas em condições de segurança, enquanto aguarda uma decisão sobre o seu futuro.

Embora o plano inicial para Bayu-Undan contemplasse o desmantelamento e a remoção das infraestruturas, a Santos continua a avaliar a possibilidade de transformar as instalações num projeto de CCS de acordo os padrões internacionais.

Neste conceito, o dióxido de carbono (CO₂) capturado nas instalações industriais em Darwin poderá ser transportado em segurança e armazenado permanentemente no reservatório subterrâneo de Bayu-Undan, onde, durante vários anos, foi armazenou gás natural.

No documento, a Santos afirmou que durante as discussões anteriores com o Ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Francisco Monteiro, a empresa analisou também um conceito de desenvolvimento mais abrangente, que poderá combinar o CCS com a utilização do gás remanescente de Bayu-Undan e a possibilidade de integrar outros campos próximos.

A empresa afirma ter realizado uma avaliação ativa desta oportunidade e apresentado um conceito de projeto fit for purpose (adequado ao propósito), ou seja, um modelo de instalações mais simples, concebido para reduzir os custos e responder ao novo conceito de desenvolvimento.

“Para avançar com esta proposta, a Santos aguarda agora uma proposta de acordo do Ministério do Petróleo e Recursos Minerais relativa à produção de hidrocarbonetos em Bayu-Undan e ao respetivo processamento associada a um acordo de CCS. Este acordo deverá proporcionar o enquadramento necessário para fazer avançar o conceito de desenvolvimento”, pode ler-se no documento.

O Diretor-Executivo da Santos, Kevin Gallagher, também manifestou otimismo quanto ao potencial futuro de Bayu-Undan, durante um discurso proferido na Conferência sobre Atividades Offshore e Onshore no Sudeste Asiático e na Austrália, que decorreu em Darwin a 2 de setembro.

Na ocasião afirmou que a existência de um projeto de CCS em Bayu-Undan poderá criar uma oportunidade para transportar e armazenar no mar o carbono capturado em Darwin.

“Estamos muito entusiasmados com as oportunidades que surgem com o CCS. Com um projeto em Bayu-Undan, temos a oportunidade de transportar desde Darwin o carbono que capturamos e armazená-lo, como parte deste projeto”, afirmou.

Relativamente ao projeto de CCS em Bayu-Undan, Kevin Gallagher disse que foram registados progressos nas discussões com o Ministro da tutela e o Governo sobre a utilização das infraestruturas e instalações existentes.

Segundo o responsável, essas infraestruturas poderão ser utilizadas não apenas para desenvolver o projeto de CCS, mas também para transformar Bayu-Undan num centro regional de processamento de gás.

“O futuro deste projeto não passa apenas pela produção ou pelo processamento de gás proveniente de outros campos através de Bayu-Undan, mas também pela análise de como podemos processar o gás existente em Bayu-Undan”, afirmou.

O dirigente salientou que ainda existe uma quantidade significativa de gás em Bayu-Undan e que a empresa pretende combinar as duas vertentes, em conformidade com a visão do Executivo timorense.

Kevin Gallagher afirmou esperar progressos concretos na segunda metade deste ano, sobretudo no que se refere aos processos de aprovação necessários para apoiar o projeto.

Acrescentou que, através de Darwin, o projeto permitirá capturar o carbono resultante do processamento de gás nas instalações da Darwin LNG, uma unidade de processamento e liquefação de gás natural localizada em Darwin, no Território do Norte, na Austrália.

Posteriormente o carbono será transportado para a terra firme, onde será armazenado em segurança, à semelhança do que a Santos já faz no projeto Moomba CCS, um centro de captura e armazenamento geológico de CO₂ em grande escala na Austrália.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editor: Rafael Ximenes de A. Belo

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