OMM: Rios em níveis mínimos e degelo dos glaciares ameaçam reservas de água doce

DÍLI, 18 de setembro de 2026 (TATOLI) — As reservas de água doce do planeta estão a diminuir, com vários rios a registarem, em 2025, alguns dos níveis mais baixos das últimas três décadas e com o recuo dos glaciares a agravar a pressão sobre os recursos hídricos.
De acordo com o mais recente Relatório sobre o Estado dos Recursos Hídricos Globais, divulgado esta quinta-feira pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), os caudais estiveram abaixo do normal em 36% das bacias hidrográficas analisadas.
O relatório avalia vários indicadores relacionados com a disponibilidade de água, incluindo os caudais dos rios, as águas subterrâneas, a humidade do solo e das plantas, a neve e o gelo, bem como fenómenos meteorológicos extremos.
Glaciares perdem massa pelo quarto ano consecutivo
A OMM alerta que o armazenamento global de água à superfície apresenta uma tendência de diminuição desde 2014. Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões glaciares do mundo registam perda de gelo e diminuição de volume.
Entre 2023 e 2025, a perda global acumulada de gelo atingiu cerca de 1.400 gigatoneladas de água, volume equivalente à água necessária para encher aproximadamente 560 milhões de piscinas olímpicas.
A Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo, comparou as águas subterrâneas, os glaciares e a neve sazonal a uma “conta-poupança do planeta”, por funcionarem como reservas essenciais durante períodos de seca.
Segundo a responsável, essas reservas permitem atenuar o impacto de anos particularmente secos, mas o seu declínio está a reduzir essa margem de segurança.
Águas subterrâneas também em queda
As águas subterrâneas apresentam igualmente sinais de pressão crescente. Em 2025, dois terços dos poços monitorizados em todo o mundo registaram níveis inferiores à média histórica.
Os níveis mais baixos foram observados em várias regiões, incluindo o nordeste e centro-oeste do Brasil, a Europa Central e Oriental, o centro dos Estados Unidos da América, partes do México, o norte do Chile e da África do Sul, o noroeste da Índia e algumas áreas do sul da Austrália.
A OMM descreve a situação como um “esgotamento cumulativo”, associado a uma tendência de secagem que se prolonga há vários anos.
El Niño aumenta risco de fenómenos extremos
A organização alerta também para o agravamento dos fenómenos extremos relacionados com a água. O fortalecimento do fenómeno climático El Niño poderá aumentar o risco de seca em algumas regiões e, simultaneamente, elevar o risco de inundações noutras.
Celeste Saulo afirmou que o défice de água aumentou em comparação com 2024 e que, até ao momento, não existem sinais claros de recuperação.
Para a dirigente, os dados apresentados pela OMM reforçam, assim, a preocupação com a disponibilidade futura de água doce e com os impactos que a redução das reservas poderá ter nas populações, na agricultura e nas economias.
Equipa da Tatoli

