MCI define prioridades para reforçar produção nacional entre 2027 e 2029

DÍLI, 4 de novembro de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste pretende reduzir a dependência de produtos importados e reforçar a produção nacional através do desenvolvimento da agricultura, da indústria transformadora e das exportações.
Para concretizar este objetivo, o Ministério do Comércio e Indústria (MCI) definiu cinco prioridades estratégicas para o período de 2027 a 2029, tendo em conta a instabilidade dos mercados internacionais e a vulnerabilidade da economia nacional às variações dos preços globais.
O Diretor-Geral do Comércio, Elias de Jesus, explicou que o país precisa de transformar gradualmente a sua estrutura económica, apostando na produção interna e no reforço da capacidade exportadora.
“Não podemos transformar a economia num curto espaço de tempo. Precisamos de prioridades claras e de uma implementação consistente”, afirmou o dirigente, esta quarta-feira, em Díli.
A primeira prioridade consiste na identificação de os produtos que Timor-Leste tem capacidade para produzir de forma competitiva, nomeadamente produtos agrícolas, pesqueiros, artesanais e alimentos transformados.
Segundo Elias de Jesus, o MCI pretende avaliar as necessidades do mercado e as oportunidades de investimento, concentrando os esforços nos setores com maior potencial de crescimento.
A segunda prioridade passa pelo desenvolvimento da indústria transformadora, com o objetivo de aumentar o valor acrescentado dos produtos nacionais. Entre as áreas identificadas estão a transformação da mandioca em produtos alimentares e o reforço do processamento, embalagem e comercialização do café através de marcas nacionais.
A terceira prioridade visa aproximar os produtores de mercados, promovendo ligações comerciais entre os agricultores e potenciais compradores, incluindo cooperativas agrícolas, supermercados, hotéis, restaurantes e distribuidores.
A quarta prioridade consiste na melhoria do ambiente de negócios e na simplificação dos procedimentos de licenciamento. Neste âmbito, o MCI já implementou sistemas de licenciamento digital nas áreas comercial e industrial, como o objetivo de facilitar a formalização das empresas e reduzir os obstáculos administrativos.
A quinta prioridade centra-se no aproveitamento das oportunidades resultantes da adesão de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático e à Organização Mundial do Comércio.
De acordo com o responsável, a integração nestas organizações abre oportunidades de acesso aos mercados internacionais, mas exige que as empresas nacionais reforcem a sua capacidade produtiva e cumpram os padrões de qualidade e as exigências comerciais externas.
Neste sentido, o MCI pretende apoiar os empresários nacionais na conversão destas oportunidades em contratos comerciais e exportações efetivas.
Elias de Jesus salientou que a forte dependência das importações continua a tornar a economia nacional vulnerável às oscilações dos mercados internacionais, sobretudo quando se verificam aumentos dos preços do petróleo e dos produtos alimentares.
O dirigente acrescentou que a concretização destas cinco prioridades exige uma estreita coordenação entre o MCI, os ministérios relevantes, a Autoridade Aduaneira, as instituições económicas e o setor privado.
Para 2027, o ministério prevê um orçamento de 7,5 milhões de dólares americanos, dos quais 3,5 se destinam a salários e vencimentos, 3,9 a bens e serviços e 70 mil dólares a capital de desenvolvimento.
A proposta orçamental será submetida à discussão do Parlamento Nacional, podendo os valores inicialmente previstos sofrer alterações.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

