Timor-Leste enfrenta desafios para garantir acesso universal à internet

DÍLI, 4 de novembro de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste continua a enfrentar desafios estruturais para garantir o acesso universal à internet, num contexto em que cerca de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo permanecem sem ligação à rede, segundo o relatório Factos e Números 2026, divulgado pela União Internacional das Telecomunicações (UIT).
O documento, apresentado em Genebra, revela que 6,3 mil milhões de pessoas utilizam atualmente a internet, o equivalente a 76% da população mundial. Apesar dos progressos na expansão da conectividade, persistem profundas desigualdades entre países desenvolvidos e economias em desenvolvimento.
Na região da Ásia-Pacífico, Timor-Leste integra o grupo de países em desenvolvimento que enfrenta dificuldades semelhantes às dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, sobretudo devido aos elevados custos das infraestruturas de telecomunicações e às limitações no acesso aos serviços digitais.
Segundo a UIT, estes constrangimentos exigem investimentos sustentados para expandir a cobertura das redes, reduzir os custos de acesso e garantir que mais pessoas possam beneficiar das oportunidades proporcionadas pela transformação digital.
Desigualdades digitais continuam a marcar o acesso à internet
A nível mundial, 93% da população dos países de elevado rendimento utiliza a internet, enquanto nas economias de baixo rendimento essa percentagem é de apenas 32%.
As diferenças também são evidentes entre as zonas urbanas e rurais. Nas cidades, 82% da população tem acesso à internet, contra 63% nas áreas rurais, uma disparidade que representa um desafio adicional para países com limitações geográficas e infraestruturais.
No que respeita à tecnologia 5G, a cobertura mundial já alcança 59% da população. Contudo, enquanto nos países de elevado rendimento atinge os 86%, nas economias de baixo rendimento abrange apenas 4%.
Custos dos serviços limitam inclusão digital
O preço dos serviços de internet continua a ser um dos principais obstáculos à inclusão digital nos países em desenvolvimento.
De acordo com o relatório, o custo mediano da banda larga móvel representa 1,2% do rendimento nacional bruto por habitante. Nos países menos desenvolvidos, porém, esta despesa sobe para cerca de 6,1%, dificultando o acesso das famílias com menores rendimentos.
As diferenças refletem-se também no consumo de dados móveis. Nos países de elevado rendimento, a média mensal é de 20 gigabytes (GB) por assinatura, enquanto nas economias mais vulneráveis se situa nos 3,4 GB.
Esta realidade condiciona o acesso a conteúdos educativos, cursos online e ferramentas de Inteligência Artificial (IA), reduzindo as oportunidades de formação e emprego, sobretudo entre as populações mais vulneráveis.
Mulheres e populações rurais entre os grupos mais afetados
O relatório identifica igualmente desigualdades no acesso à internet entre homens e mulheres. Atualmente, 79% dos homens utilizam a rede, face a 74% das mulheres.
Os jovens apresentam níveis de conectividade superiores aos da restante população. Cerca de 86% das pessoas entre os 15 e os 24 anos utilizam a internet, comparativamente a 74% nos restantes grupos etários.
Para a UIT, estes dados demonstram a importância de reforçar as competências digitais, promover a participação das mulheres e criar condições para que os jovens possam aproveitar as oportunidades da economia digital.
A organização considera que, numa era marcada pelo rápido desenvolvimento da IA, a falta de acesso à rede representa também uma limitação ao acesso à educação, ao emprego e à participação na sociedade.
A Secretária-Geral da UIT, Doreen Bogdan-Martin, defende que é necessário expandir a conectividade e assegurar que esta seja acessível e relevante para todas as pessoas, independentemente do local onde vivem.
Por sua vez, o Diretor do Departamento de Desenvolvimento das Telecomunicações da organização, Cosmas Zavazava, considera que o desenvolvimento de competências digitais deve constituir uma prioridade, para que as populações possam transformar o acesso às tecnologias em oportunidades concretas de melhoria da qualidade de vida.
A UIT sublinha que o objetivo já não passa apenas por garantir que as pessoas estejam ligadas à internet, mas também por assegurar uma conectividade de qualidade, inclusiva e financeiramente acessível.
Equipa da Tatoli

