Revisão do currículo do ensino secundário pretende reforçar competências e identidade timorense

DÍLI, 5 de outubro de 2026 (TATOLI) – O Ministério da Educação (ME), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a Organização de Ministros da Educação do Sudeste Asiático (SEAMEO, em inglês) discutiram a revisão do currículo do ensino secundário, destacando a necessidade de atualização, a adequação à realidade nacional e a preservação da identidade timorense.
A Ministra da Educação, Dulce de Jesus Soares, afirmou que a revisão pretende dotar os estudantes de competências que lhes permitam prosseguir estudos universitários ou ingressar no mercado de trabalho. Sublinhou ainda que o novo currículo deverá promover o pensamento crítico e analítico, bem como as competências digitais, atendendo à crescente digitalização da sociedade. A governante destacou também a importância de reforçar a responsabilidade cívica dos jovens enquanto cidadãos timorenses.
“Não queremos elaborar um currículo apenas com conteúdos semelhantes aos dos países desenvolvidos. Temos de reconhecer que não dispomos de infraestruturas suficientes nem de professores com a preparação necessária para o implementar. Por isso, vamos desenvolver um currículo alinhado com a nossa realidade”, explicou.
Segundo a ministra, a intenção de atualizar o currículo existe desde antes da pandemia de covid‑19, mas as circunstâncias da altura impediram o avanço do projeto. Recordou igualmente que, em 2025 e 2026, o ME iniciou a revisão do currículo do ensino técnico‑vocacional, destinado a preparar os alunos para áreas profissionais específicas.
O Coordenador do Gabinete da Unidade Nacional de Currículo do ME, João Maupelu, explicou que as equipas de especialistas e de reforma curricular já iniciaram o processo de avaliação para identificar as necessidades de revisão dos currículos do ensino secundário‑geral e técnico‑vocacional. Destacou que a reforma é essencial para garantir a continuidade entre o novo currículo do ensino básico e o ensino secundário.
O novo currículo do ensino básico, nomeadamente do terceiro ciclo, começou a ser implementado no 7.º ano em 2026, seguindo‑se o 8.º ano em 2027, com conclusão prevista para 2028.
João Maupelu referiu que o encontro com a UNESCO marcou o início das discussões sobre a reforma curricular do ensino secundário, processo que continuará nos próximos meses. A revisão deverá abranger áreas como formação do carácter, cidadania, história, ciências naturais, ciências sociais e humanidades, matemática e tecnologia, entre outras.
“O novo currículo terá também em conta conteúdos relevantes para a realidade sociocultural, política e económica de Timor‑Leste, bem como os padrões internacionais, incluindo os da ASEAN, para preparar os estudantes com os conhecimentos e competências de que necessitarão no futuro”, sublinhou.
A Diretora do Secretariado da SEAMEO, Habibah Abdul Rahim, afirmou que, no âmbito da parceria tripartida, a organização já realizou uma análise documental preliminar, mas considerou que esta não será suficiente sem a consulta das partes interessadas, responsáveis pela tomada de decisões no ME, equipas curriculares, dirigentes escolares, professores e estudantes.
Acrescentou que será igualmente necessário ouvir as instituições de ensino superior, de modo a avaliar a preparação dos alunos que transitam do ensino secundário para o ensino universitário. As consultas servirão de base à elaboração de um relatório destinado a apoiar o desenvolvimento do novo quadro curricular.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos

