António Guterres: quando jornalismo é silenciado, toda sociedade é afetada

DÍLI, 4 de novembro de 2026 (TATOLI) – O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou para os riscos enfrentados pelos jornalistas em todo o mundo, sublinhando que o exercício da profissão não pode ser silenciado pela violência, intimidação ou impunidade.
Numa mensagem por ocasião do Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, assinalado a 2 de novembro, o responsável destacou o papel fundamental dos profissionais da comunicação social na promoção de uma opinião pública informada e na responsabilização dos detentores de cargos de poder.
Apesar da importância desta função, os jornalistas continuam a ser alvo de assédio, vigilância, processos judiciais, agressões físicas e detenções arbitrárias. Em alguns casos, são mesmo torturados ou assassinados simplesmente por exercerem a sua atividade.
Segundo António Guterres, pelo menos 34 profissionais do setor foram mortos no último ano, sendo que, em média, seis em cada sete homicídios permanecem impunes. Em contextos de conflito armado, esta percentagem aproxima-se dos 100%.
O líder das Nações Unidas considera que a impunidade constitui uma grave ofensa às vítimas, às suas famílias e à sociedade, que depende do trabalho jornalístico para se manter informada e participar ativamente na vida pública. Sublinhou ainda que, quando o jornalismo é silenciado, toda a sociedade acaba por sofrer as consequências.
Investigações e responsabilização dos autores
O dirigente defendeu que nada deve comprometer a capacidade dos jornalistas de exercerem livremente a sua profissão, considerando-a essencial para a defesa dos direitos humanos, da democracia e do Estado de direito.
Apelou igualmente à realização de investigações rigorosas sobre todos os ataques contra profissionais da comunicação social, exigindo que os responsáveis sejam identificados e levados à justiça. Destacou também a necessidade de combater as ameaças, agressões e outras formas de violência no espaço digital.
António Guterres recordou que, desde o lançamento do Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança dos Jornalistas, em 2012, a taxa de impunidade dos crimes contra os profissionais do setor em países sem conflitos armados diminuiu de 94% para 77%.
Apesar desta evolução, reconheceu que os progressos continuam a ser insuficientes e que são necessárias medidas mais eficazes para garantir a segurança dos profissionais da comunicação social.
Conflitos armados e aumento dos assassinatos de jornalistas
Dados da ONU revelam que 162 jornalistas foram assassinados no exercício da profissão entre 2023 e 2024. Quase metade destas mortes ocorreu em países afetados por conflitos armados, uma proporção superior aos 38% registados nos dois anos anteriores.
A impunidade mantém-se igualmente preocupante: 85% dos homicídios de jornalistas registados desde 2006 permanecem por resolver ou foram arquivados.
As estatísticas da organização evidenciam ainda a vulnerabilidade das mulheres jornalistas. Em 2022, foram assassinadas dez profissionais, o número mais elevado desde 2017.
Perante este cenário, a ONU reiterou a importância de proteger os jornalistas, combater a impunidade e garantir condições para que possam exercer a sua atividade sem ameaças nem violência.
Equipa da Tatoli

