Timor-Leste regista taxa de pobreza multidimensional de 17,4%, revela ONU

DÍLI, 14 de outubro de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste apresenta uma taxa de pobreza multidimensional de 17,4%, segundo a atualização de 2026 do Índice Global de Pobreza Multidimensional, elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano da Universidade de Oxford.
O relatório surge num contexto de agravamento da pobreza multidimensional a nível mundial, com o número de pessoas afetadas a atingir 1,2 mil milhões em 2026, mais 51,5 milhões do que no ano anterior. É a primeira vez desde 2010 que se regista um aumento global deste indicador.
Em Timor-Leste, a pobreza multidimensional está associada a desafios estruturais relacionados com o período pós-conflito, a transição económica e a consolidação das infraestruturas básicas, segundo o documento.
A taxa de 17,4% coloca o país entre os Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa analisados no relatório. Contudo, os dados relativos a Timor-Leste foram recolhidos de 2014 a 2019, pelo que não refletem necessariamente a situação atual da pobreza no país.
O Índice Global de Pobreza Multidimensional avalia as condições de vida para além do rendimento, considerando dez indicadores nas áreas da saúde, da educação e das condições de vida. Entre os fatores analisados encontram-se as privações no acesso a serviços essenciais, como a água potável, a eletricidade e a educação.
A nível mundial, 83% das pessoas em situação de pobreza multidimensional vivem em zonas rurais e mais de metade são crianças, o que evidencia a dimensão social do problema e a necessidade de políticas públicas orientadas para os grupos mais vulneráveis.
O relatório salienta ainda que o crescimento demográfico pode contribuir para o aumento do número absoluto de pessoas em situação de pobreza, mesmo quando a proporção da população afetada diminui. Os casos de Angola e da Zâmbia ilustram esta tendência.
Apesar do agravamento global, o estudo identifica progressos significativos em países como o Egipto, o Nepal e o Tajiquistão, onde diminuíram tanto a taxa de pobreza como o número de pessoas afetadas. A China e o Vietname também registaram reduções expressivas da pobreza multidimensional.
O administrador do PNUD, Alexander De Croo, considera “inaceitável” que 1,2 mil milhões de pessoas continuem a enfrentar privações que se reforçam mutuamente, incluindo a fome, a falta de acesso à educação e a ausência de água potável ou eletricidade.
O responsável defende, contudo, que é possível alcançar progressos através de uma ação determinada e de respostas integradas aos diferentes fatores da pobreza.
A meta 1.2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) prevê reduzir, pelo menos para metade, até 2030, a proporção de homens, mulheres e crianças que vivem na pobreza, em todas as suas dimensões.
A atualização de 2026 demonstra que o cumprimento deste compromisso continua a representar um desafio global. Para Timor-Leste, a melhoria das infraestruturas básicas e o reforço do acesso à saúde, à educação e a outros serviços essenciais permanecem fundamentais para combater as privações multidimensionais.
O relatório abrange 108 países em desenvolvimento, representando 78% da população mundial. A ONU sublinha que a redução da pobreza exige políticas que respondam simultaneamente às várias dimensões da privação e às necessidades das populações mais vulneráveis.
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Equipa da Tatoli

