FAO alerta para necessidade de conciliar segurança alimentar e sustentabilidade na pecuária mundial

DÍLI, 14 de outubro de 2026 (TATOLI) – A pecuária mundial enfrenta o desafio de garantir a segurança alimentar, reduzir os impactos ambientais e promover a equidade socioeconómica, segundo um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O documento destaca a necessidade de transformar os sistemas de produção pecuária através de estratégias adaptadas às realidades de cada região, tendo em conta as diferenças entre países de rendimento elevado, médio e baixo.
Pecuária familiar continua a ser essencial nos países lusófonos
Em países como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, a pecuária familiar desempenha um papel fundamental na segurança alimentar e na redução da pobreza nas zonas rurais.
Segundo o relatório, o desenvolvimento deste setor exige investimentos em infraestruturas, melhoria do acesso aos mercados e reforço dos serviços de saúde animal, de forma a aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade dos sistemas de produção.
No Brasil, a dimensão dos efetivos pecuários e a dependência de fatores de produção externos influenciam as condições de trabalho e a organização das explorações agrícolas e pecuárias.
O documento destaca ainda a contribuição científica de investigadores da Empresa Brasileira de Investigação Agropecuária e da Universidade Estadual de Maringá, que colaboraram no desenvolvimento de metodologias para avaliar a resiliência dos sistemas de produção face às alterações climáticas.
Setor representa 40% do PIB agrícola mundial
A pecuária representa cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola mundial, correspondendo a aproximadamente 1,8 mil milhões de dólares americanos, e tem registado um crescimento contínuo da procura de alimentos de origem animal terrestre.
O setor contribui com cerca de um terço do fornecimento mundial de proteínas, destacando-se os sistemas integrados de agricultura e pecuária e a produção avícola.
Além da sua importância económica e nutricional, a pecuária desempenha um papel relevante na segurança alimentar das comunidades e dos países. De acordo com o relatório, apenas 15% da carne, 12% do leite e dos produtos lácteos e 3% dos ovos produzidos anualmente são comercializados nos mercados internacionais.
Para a FAO, estes dados evidenciam a importância da produção pecuária para o abastecimento dos mercados internos e para a subsistência de milhões de famílias em todo o mundo.
Redução das emissões entre principais prioridades
Apesar da sua relevância económica e nutricional, a pecuária enfrenta uma pressão crescente para aumentar a eficiência produtiva e, simultaneamente, reduzir os impactos ambientais e os riscos para a saúde pública.
O setor é responsável por cerca de 12% das emissões mundiais de gases com efeito de estufa, sendo os bovinos uma das principais fontes dessas emissões.
O Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, considera prioritário enfrentar questões como a concorrência entre a utilização de alimentos para consumo humano e para alimentação animal, a gestão dos animais de criação e os riscos associados às doenças zoonóticas e à resistência aos antimicrobianos.
Estas preocupações reforçam a necessidade de desenvolver sistemas de produção que conciliem a disponibilidade de alimentos nutritivos com a proteção da saúde humana e do ambiente.
Inovação e políticas inclusivas para uma transição sustentável
A pecuária continua a ser uma fonte essencial de rendimento e de nutrientes para milhões de famílias, sobretudo nas regiões mais vulneráveis do mundo.
Enquanto os países desenvolvidos e os grandes exportadores agrícolas apostam em tecnologias de precisão, na economia circular e na redução da pegada carbónica, os países de rendimento mais baixo necessitam de apoio específico para melhorar a produtividade e assegurar um acesso mais equitativo aos recursos.
A FAO sublinha que a transição para sistemas agroalimentares sustentáveis depende da inovação tecnológica, da utilização eficiente dos recursos naturais e da implementação de políticas públicas inclusivas.
O objetivo é promover uma produção pecuária mais sustentável, sem comprometer os meios de subsistência dos pequenos produtores nem agravar as desigualdades socioeconómicas durante o processo de descarbonização.
Equipa da Tatoli

