Navi Pillay vence Prémio Nobel da Paz de 2026 pela defesa dos direitos humanos

DÍLI, 12 de outubro de 2026 (TATOLI) – A juíza sul-africana reformada Navi Pillay, de 85 anos, antiga Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, foi distinguida no dia 9 com o Prémio Nobel da Paz de 2026. A distinção reconhece o seu contributo para a defesa do direito internacional, da justiça e da dignidade humana.
Navy Pillay recebeu a notícia enquanto participava numa reunião num tribunal de Nuremberga, na Alemanha, local historicamente associado ao julgamento de crimes internacionais.
Visivelmente surpreendida, a laureada afirmou estar “profundamente surpreendida” e dedicou o prémio aos sobreviventes de crimes internacionais. Confessou que a sua primeira reação foi pensar que a notícia “só podia ser uma piada”, acrescentando, com humor: “Sendo advogada e juíza, ainda quero confirmar se esta história é verdadeira”.
Segundo o Comité Nobel, a distinção pretende reconhecer não só o percurso individual de Navy Pillay, mas também destacar a importância de reforçar o Estado de direito e a aplicação do direito internacional em todo o mundo.
A cerimónia de entrega do prémio está prevista para 10 de dezembro, na Câmara Municipal de Oslo, na Noruega. A laureada receberá uma medalha, um diploma e um prémio monetário de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de 1,2 milhões de dólares americanos.
Uma carreira dedicada à justiça internacional
Nascida em Durban, na África do Sul, Navi Pillay construiu uma carreira marcada pela defesa dos direitos humanos e pelo combate à impunidade. Durante o regime do apartheid, destacou-se na defesa de Nelson Mandela e de outros ativistas que lutavam contra a segregação racial no país.
A sua intervenção na justiça internacional ganhou particular relevância no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde exerceu funções de juíza e presidiu ao tribunal durante parte do processo de julgamento dos responsáveis pelo genocídio de 1994. O seu trabalho contribuiu para o desenvolvimento de precedentes importantes no direito penal internacional.
Navy Pillay viria também a assumir o cargo de Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos, tornando-se uma das figuras de referência da organização na promoção e proteção dos direitos fundamentais.
Mais recentemente, integrou a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestiniano Ocupado, criada em 2021 pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU.
O Comité Nobel destacou que, ao longo de várias décadas, o trabalho da jurista contribuiu para responsabilizar líderes políticos e militares por crimes graves e para dar esperança às vítimas de violência e de conflitos armados.
Guterres destaca primazia do direito internacional
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, felicitou Navi Pillay pela distinção, salientando o seu percurso profissional, desde os tribunais sul-africanos até à liderança do principal organismo da ONU dedicado à defesa dos direitos humanos.
Guterres sublinhou que a laureada demonstrou, ao longo da sua carreira, que “a força da lei deve prevalecer sobre a lei da força”, defendendo que o respeito pelos direitos humanos é uma das principais garantias contra a injustiça.
O responsável considerou ainda que a escolha de Navy Pillay constitui uma homenagem a todas as pessoas que trabalham diariamente para defender o direito internacional e promover a paz, a justiça e a dignidade humana.
Por sua vez, o atual Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a atribuição do prémio à sua antecessora como uma “vitória coletiva para os direitos humanos”.
Durante uma conferência de imprensa, Türk felicitou a laureada, a quem chamou “irmã mais velha”, considerando a distinção “absolutamente fantástica”.
Quinta sul-africana a receber Nobel da Paz
Com esta distinção, Navi Pillay junta-se ao grupo de personalidades sul-africanas reconhecidas com o Prémio Nobel da Paz pela sua contribuição para a defesa dos direitos humanos e a transformação política do país.
Entre os anteriores laureados sul-africanos encontram-se Albert Luthuli (1960), o arcebispo Desmond Tutu (1984) e Nelson Mandela e Frederik Willem de Klerk (1993), distinguidos pelo papel desempenhado no fim do apartheid e na transição democrática da África do Sul.
Equipa da Tatoli

