Cidália Guterres considera prémio a “Lú Olo” uma homenagem aos combatentes da libertação nacional

DÍLI, 12 de outubro de 2026 (TATOLI) – A esposa do antigo Presidente da República Francisco Guterres “Lú Olo”, Cidália Lopes Guterres, afirmou que o Prémio Excelência Lusófona atribuído ao marido representa não apenas o reconhecimento do seu contributo para a libertação nacional e construção do Estado, mas também uma homenagem aos combatentes, veteranos, heróis e mártires que lutaram durante 24 anos pela independência do país.
A declaração foi feita durante a cerimónia de entrega do prémio, realizada no Casino Estoril, em Portugal, integrada nas comemorações do 30.º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O distinção foi entregue pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e atual Presidente do Conselho de Ministros da CPLP para o biénio 2026-2027, Bendito Freitas. Cidália Guterres esteve acompanhada por dois dos filhos, Aldino Nobre Guterres e Felezito Samora Guterres.
Em nome da família, Cidália Guterres agradeceu à comissão organizadora pela atribuição da distinção, que reconhece o percurso de “Lú Olo” na luta pela libertação nacional, na construção do Estado e no reforço dos laços entre comunidade lusófona. “Não posso falar em nome dele, mas existem vídeos e muitos discursos em que falou sobre o significado da própria CPLP”, afirmou num documento a que a Tatoli teve acesso.
Cidália Guterres recordou ainda o papel desempenhado por “Lú Olo” em 2014, quando presidiu a comissão organizadora dos preparativos da Cimeira da CPLP em Díli, durante a qual Timor-Leste acolheu a reunião de chefes de Estado e do Governo da organização.
“Como esposa que esteve próxima dele, posso testemunhar todo o seu trabalho pela libertação nacional e pela continuidade da construção do Estado e da nação timorense”, recordou.
A cerimónia contou com a presença da Embaixadora de Timor-Leste junto da CPLP, Natália Carrascalão, e do Secretário-Adjunto da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente, José Reis.
Estiveram também presentes a Ministra dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades de São Tomé e Príncipe, Ilza Amado Vaz, o Secretário de Estado das Florestas de Portugal, Rui Ladeira, a Secretária-Executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, e a fundadora do Prémio de Gala da Lusofonia, Isabel Leitão.
Nascido a 7 de setembro de 1954, em Ossú, Viqueque, Francisco Guterres faleceu a 21 de junho de 2026, na Malásia, aos 71 anos. Era casado e pai de quatro filhos: Francisco Cidalino Guterres (Olo Kai), Eldino Nobre Guterres, Felezito Samora Guterres e Dália Guterres.
Ingressou na luta pela libertação em 1974 e permaneceu na resistência armada durante 24 anos, assumindo diversas responsabilidades políticas e militares. Foi membro da liderança da resistência e, após a morte de Konis Santana, em 1998, assumiu a direção política da luta armada da Frente Revolucionária de Timor-Leste (FRETILIN).
Após o referendo de 1999, desempenhou um papel central na reorganização da FRETILIN para o período pós-independência. Em 2001 foi eleito Presidente da Assembleia Constituinte.
Exerceu a Presidência do Parlamento Nacional entre 2002 e 2007 e foi Presidente da República entre 2017 e 2022. Licenciou-se em Direito na Universidade Nacional Timor Lorosa’e.
Ao longo do seu percurso, foi distinguido pelo Estado timorense com o Colar da Ordem de Timor-Leste, em 2009, e com o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste, em 2022. No mesmo ano, recebeu igualmente o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Governo português.
Notícia relevante: Francisco Guterres “Lú Olo” vai ser distinguido com Prémio Excelência Lusófona
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

