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OMS lança roteiro global para combater hipertensão na gravidez

Foto:Francisco Sony

DÍLI, 11 de outubro de 2026 (TATOLI) – A Organização Mundial de Saúde (OMS) e seus parceiros lançaram um roteiro global para combater os distúrbios hipertensivos na gravidez, responsáveis pela morte anual de milhares de mulheres em todo o mundo.

O documento, publicado na quarta-feira, aborda os distúrbios hipertensivos, que continuam entre as principais causas de mortalidade materna e neonatal, com impactos graves e duradouras para as famílias.

Apresentado durante a Conferência Global da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, o novo roteiro define ações coordenadas nas áreas de investigação e inovação para reforçar a prevenção a deteção e o tratamento da hipertensão durante a gravidez.

A estratégia articula a investigação científica, o desenvolvimento de medicamentos, orientações clínicas, sistemas de saúde e medidas políticas, com o objetivo de garantir que a sobrevivência de uma mulher durante a gravidez e o parto não dependa do país onde vive.

Em maio, a OMS reuniu mais de 140 parceiros numa cimeira mundial para identificar prioridades de investigação e definir respostas para os desafios nesta área.  As orientações estabelecidas deverão orientar futuros investimentos na prevenção, na deteção e tratamento dos distúrbios hipertensivos na gravidez.

Estima-se que estes distúrbios compliquem entre 10% e 15% das gravidezes em todo o mundo. São responsáveis por cerca de 16% das mortes maternas a nível mundial, o equivalente a 42 mil mortes por ano, além de estarem associados a 500 mil casos de nados-mortos e mortes de recém-nascidos.

Entre estas complicações destaca-se a pré-eclâmpsia, caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20.ª semana de gestação, podendo ocorrer em qualquer gravidez.

A Diretora do Departamento de Saúde Sexual, Reprodutiva, Materna, Infantil, do Adolescente e do Envelhecimento da OMS, Pascale Allotey, sublinha que a prevenção de mortes nestes casos de alto risco depende da medição atempada da pressão arterial e do acesso a cuidados de emergência de qualidade.

A dirigente alertou, contudo, que milhões de mulheres sem acesso regular a serviços básicos, como medição da pressão arterial, e a medicamentos essenciais, incluindo aspirina e anti-hipertensivos.

Complicações como a pré-eclâmpsia podem ter consequências duradouras para a saúde das mães após o parto. Essas mulheres apresentam maior risco de desenvolver hipertensão crónica, doenças cardiovasculares, Acidente Vascular Cerebral e doenças renais numa fase posterior da vida.

As crianças expostas a estas condições durante a gestação podem apresentar maior risco de nascimento prematuro e desenvolver doenças cardiovasculares e metabólicas a longo prazo, segundo o documento da OMS.

A OMS sublinha que as falhas na prestação de cuidados pré-natais nos países de baixo e médio rendimento aumentam o risco de complicações graves e de morte materna.

De acordo com a organização, mulheres em situação de pobreza, afetadas por crises humanitárias ou residentes em zonas geograficamente isoladas enfrentam riscos acrescidos para a saúde.

Equipa da Tatoli

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