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UNICEF alerta para riscos climáticos que afetam crianças timorenses

Foto:Felicidade Ximenes

DÍLI, 23 de setembro de 2026 (TATOLI) – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Instituto Nacional de Estatística (INE-TL) lançaram hoje o Relatório e Portal do Modelo de Risco de Desastres do Índice de Risco Climático das Crianças de Timor-Leste.

Na sua intervenção, a Representante da UNICEF em Timor-Leste, Patrizia DiGiovanni, afirmou que o lançamento da iniciativa representa um passo importante dos esforços para proteger as crianças dos impactos e desastres relacionados com o clima.

“O portal fornece-nos informações essenciais sobre as zonas onde os riscos são mais elevados, as crianças que se encontram em situação de maior vulnerabilidade e os locais onde é mais urgente agir e investir”, referiu a dirigente.

Riscos climáticos agravam vulnerabilidades das crianças

A UNICEF considera que a crise climática constitui também uma crise dos direitos da criança, por afetar praticamente todas as dimensões da sua vida, nomeadamente a saúde e a nutrição, o acesso a água potável, a frequência escolar, a proteção e a segurança das suas casas e comunidades.

A publicação do Relatório visa alertar para os riscos climáticos e para as vulnerabilidades que afetam as crianças. Segundo o documento, quase todas as crianças no mundo estão expostas a pelo menos um grande risco climático e mais de quatro milhões enfrentam até seis riscos em simultâneo.

“Mas o relatório global transmite também uma mensagem fundamental: a exposição aos riscos, por si só, não determina o nível de risco de uma criança. O risco aumenta quando um fenómeno climático atinge uma criança que já vive em situação de pobreza ou desnutrição, ou que não tem acesso regular a serviços essenciais”, referiu.

A seca não afeta todas as crianças da mesma forma. De acordo com Patrizia DiGiovanni, as crianças que vivem em famílias com acesso seguro a serviços essenciais estão mais protegidas. Já as crianças que enfrentam pobreza, desnutrição ou deficiência ou dificuldades no acesso a esses serviços têm menos condições para enfrentar situações de crise. “É por isso que a ação climática deve reduzir as desigualdades e reforçar os sistemas dos quais as crianças dependem”, acrescentou.

Timor-Leste riscos crescentes

Segundo Patrizia DiGiovanni, as conclusões globais têm implicações importantes para Timor-Leste. As crianças estão cada vez mais expostas à seca, às inundações, ao calor extremo e às tempestades tropicais, podendo um fenómeno climático afetar várias zonas do país ao mesmo tempo. O isolamento geográfico e as dificuldades no acesso a serviços essenciais podem também limitar a capacidade das comunidades para responder e recuperar destes fenómenos.

“Para um pequeno Estado insular em desenvolvimento como Timor-Leste, estes riscos não são uma realidade distante. Já afetam a água a que as famílias têm acesso, os alimentos que conseguem produzir e adquirir, as escolas que as crianças podem frequentar e os serviços de saúde e nutrição de que necessitam”, sublinhou.

Seca pode agravar desnutrição infantil

Em Timor-Leste, 45% das crianças com menos de cinco anos sofrem de atraso no crescimento. A redução das chuvas, as perdas agrícolas, o aumento dos preços dos alimentos, a falta de água segura e o aumento das doenças podem agravar a desnutrição.

“A escassez de água pode significar que uma família fique sem água segura suficiente para as suas crianças e que as raparigas passem mais tempo a recolher água e menos tempo a aprender. Pode também aumentar o risco de doenças diarreicas e exercer uma pressão adicional sobre os serviços de saúde e as escolas”, destacou a responsável da UNICEF.

As crianças com deficiência, as que vivem em comunidades remotas, as adolescentes e as que vivem em situação de pobreza serão as mais afetadas. Os riscos climáticos podem afetar as crianças de várias formas e agravar os seus impactos.

El Niño pode reduzir precipitação

A dirigente adiantou que as projeções atuais indicam que o El Niño poderá reduzir a precipitação em Timor-Leste entre novembro de 2026 e abril de 2027. Por isso, o lançamento deste portal é importante para ajudar as comunidades e as instituições a prepararem-se.

Episódios anteriores do El Niño também afetaram a produção de milho e arroz, a disponibilidade de alimentos e os meios de subsistência das famílias. Em 2023, a precipitação ficou mais de 30% abaixo do normal, provocando condições de seca em grande parte do país.

No entanto, um alerta precoce não significa que haverá necessariamente sofrimento. Ainda há tempo para agir. A preparação nos próximos meses pode ajudar a prevenir casos de desnutrição, o consumo de água não segura, interrupções na aprendizagem e o aumento dos riscos de proteção.

A adoção de medidas antecipadas, com base em alertas precoces, pode ser mais eficaz e menos dispendiosa do que responder depois de uma crise.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos

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