Top

Marcos da Cruz: mais de 60 mil famílias timorenses dependem do café

O Ministro da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Marcos da Cruz. Foto da Tatoli/António Daciparu

DÍLI, 24 de julho de 2026 (TATOLI) – O café continua a ser o principal produto agrícola do país, assegurando o sustento de mais de 60 mil famílias e mantendo-se como a maior fonte de exportações não petrolíferas do país.

A afirmação foi proferida pelo Ministro da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Marcos da Cruz, durante a cerimónia de assinatura de um acordo de financiamento adicional do Projeto de Melhoria dos Meios de Subsistência no Setor do Café e da Agrofloresta (CALIP, em inglês), entre o Governo timorense e o Banco de Desenvolvimento Asiático, numa cerimónia realizada hoje, em Díli.

O Governo considera, por isso, a revitalização do setor uma prioridade nacional e pretende reforçar o investimento na produção, qualidade e comercialização do café.

Segundo o governante, o café ocupa um lugar central na história, na economia e na identidade nacional, tendo sustentado, ao longo de gerações, as comunidades rurais e contribuído para a integração do país nos mercados internacionais.

O ministro salientou que a importância estratégica do setor vai além da sua contribuição económica. Explicou que a maioria das plantações de café é cultivada em sistemas agroflorestais, sob a sombra de árvores, um modelo que favorece a conservação da biodiversidade, protege os recursos hídricos, melhora a fertilidade dos solos, reduz a erosão e aumenta a capacidade de adaptação às alterações climáticas.

“Investir no setor do café significa não apenas investir na melhoria do bem-estar das comunidades rurais, mas também garantir uma gestão sustentável dos recursos naturais”, disse.

Apesar do potencial do setor, Marcos da Cruz reconheceu que persistem desafios significativos. Muitas plantações são compostas por cafeeiros envelhecidos, cuja produtividade tem vindo a diminuir, e os agricultores continuam a enfrentar dificuldades no acesso a mudas de qualidade, tecnologias modernas, mecanização, infraestruturas de pós-colheita, financiamento e mercados.

O governante alertou ainda para o impacto das alterações climáticas, das pragas e doenças das plantas e da limitada ligação aos mercados, fatores que continuam a comprometer a produtividade e a competitividade do café timorense. Na sua opinião, estes constrangimentos exigem uma estratégia de longo prazo, sustentada por investimentos contínuos e por parcerias sólidas.

Neste contexto, garantiu o ministro, o financiamento adicional do CALIP permitirá acelerar a reabilitação de plantações envelhecidas, expandir a produção em sistemas agroflorestais resilientes às alterações climáticas, aumentar a produção de mudas de qualidade, melhorar o processamento pós-colheita e reforçar os sistemas de comercialização e a cadeia de valor do café.

O programa prevê igualmente o reforço da investigação agrícola, dos serviços de extensão rural e da formação dos agricultores, bem como a promoção do investimento privado, com o objetivo de aumentar a competitividade do café de Timor-Leste nos mercados regional e internacional.

Marcos da Cruz manifestou confiança de que estes investimentos contribuirão para aumentar a produção e a qualidade do café, criar emprego, dinamizar a economia das zonas rurais e melhorar as condições de vida das comunidades produtoras.

“A assinatura de hoje não representa apenas um investimento no setor do café. É um investimento nos agricultores, nas comunidades rurais, nas florestas, na economia e no futuro de Timor-Leste”, afirmou.

O governante apelou ainda à continuidade da colaboração entre o Governo, os parceiros de desenvolvimento e o setor privado para desenvolver um setor cafeeiro mais produtivo, competitivo, resiliente às alterações climáticas e reconhecido internacionalmente pela qualidade do café timorense.

“Garantimos que o café timorense continue a ser motivo de orgulho nacional e um motor de prosperidade para a geração atual e para as gerações vindouras”, concluiu.

Notícia relevante: BAD aprova 4,95 milhões de dólares para reforçar produção sustentável de café no país

Jornalista: Cidalia Fátima/Tradução: Equipa da Tatoli

Editora: Armandina Moniz

Publisidade

Leave a Reply

Latest Post

error: Content is protected !!