DÍLI, 27 de abril de 2023 (TATOLI) – O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Bilal Durani, referiu que uma das prioridades de Timor-Leste até 2030 deve passar pela prevenção da desnutrição e do atraso no crescimento.
A afirmação foi feita durante uma conferência de imprensa realizada pela Unidade de Missão para a Prevenção do Atrofiamento (UNIMICS) e que contou com a presença de representantes da Organização Mundial de Saúde, das Nações Unidas, do Programa Alimentar Mundial e da União Europeia.
“Os problemas relacionados com a nutrição e com o atraso no crescimento são 100% evitáveis, porque a causa daqueles deve-se a práticas impróprias”, disse Bilal Durani, no Palácio do Governo, em Díli.
Para prevenir aqueles problemas, segundo Bilal Durani, as mulheres grávidas devem, desde o primeiro mês, prestar atenção à sua saúde nutricional, porque tendem a ser anémicas. Devem, igualmente, fazer exames de rotina durante a gravidez e cumprir escrupulosamente a prescrição médica. O responsável referiu também que, se possível, se deve amamentar os bebés até aos 23 meses e não o sendo as mães devem optar por lhes dar alimentos nutritivos.
“Em Timor-Leste, cerca de 83% dos bebés recebem alimentos nutritivamente pobres e 28% dos recém-nascidos são alimentados com leite artificial, porque os seus pais pensam, erradamente, que o leite artificial é melhor do que o leite materno”, informou Bilal Durani.
Por sua vez, o Diretor-Executivo da UNIMICS, Filipe da Costa, afirmou que a desnutrição e o atraso no crescimento são uma emergência humanitária, pelo que é necessário haver informação de prevenção fidedigna e que esta deve ser veiculada, tanto quanto possível, pelos meios de comunicação social.
Já o representante da OMS, o médico Vinay Bothra, frisou que tanto a desnutrição, como o atraso no crescimento têm um impacto negativo no futuro das crianças.
“Capacitar as mães e prestar atenção aos bebés e crianças pequenas é a solução mais importante para prevenir a desnutrição”, afirmou.
De acordo com os dados de 2020 do Ministério da Saúde, cerca de 47% das crianças timorenses sofriam de raquitismo, sendo Ermera, Ainaro e Oé-Cusse os municípios onde se verificavam mais casos.
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Jornalista: Domingos Piedade Freitas
Editora: Isaura Lemos de Deus




