Brasil e ONU criam instituto para desenvolver soluções de IA contra crise climática

DÍLI, 6 de novembro de 2026 (TATOLI) – O Brasil, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), está a avançar com a criação do Instituto de Inteligência Artificial para o Clima (AICI, em inglês). A iniciativa visa promover o desenvolvimento de soluções tecnológicas para combater as alterações climáticas, com especial atenção às necessidades dos países em desenvolvimento.
A iniciativa conta com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e da União Internacional das Telecomunicações (UIT), estando o lançamento oficial previsto para o próximo dia 16, à margem da 31.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31), em Antália, na Turquia.
Com sede na Agência Nacional de Telecomunicações, em Brasília, o Instituto pretende reforçar as capacidades técnicas e institucionais dos países em desenvolvimento, permitindo-lhes conceber, implementar e gerir soluções próprias de Inteligência Artificial (IA) aplicadas à ação climática.
Sustentabilidade no centro do desenvolvimento da IA
A criação do AICI surge num contexto em que a IA assume um papel cada vez mais relevante na resposta à crise climática. Entre as suas principais aplicações destacam-se a previsão de fenómenos meteorológicos extremos, a monitorização da desflorestação e a otimização da gestão dos recursos hídricos.
Contudo, a expansão desta tecnologia também levanta preocupações ambientais, sobretudo devido ao elevado consumo de energia e água associado às infraestruturas de computação e aos centros de dados.
Neste sentido, o Instituto pretende promover soluções de IA que conciliem inovação tecnológica, eficiência na utilização de recursos e responsabilidade ambiental.
A decisão de avançar com a iniciativa foi tomada durante a COP30, realizada em Belém, no Brasil, tendo em conta as dificuldades enfrentadas pelos países mais vulneráveis às alterações climáticas. Entre os principais obstáculos identificados estão a limitada capacidade computacional, a fragmentação dos sistemas de governação de dados e a escassez de profissionais com competências técnicas especializadas.
O projeto assenta numa abordagem que combina liderança regulatória, normas técnicas internacionais e princípios de governação ética, com respeito pelos direitos humanos.
Combate à desflorestação na Amazónia entre as prioridades
Para assinalar o lançamento oficial, os parceiros envolvidos deverão apresentar o plano de trabalho para o período de 2026-2027, bem como um conjunto de aplicações-piloto com potencial de expansão internacional.
Entre as iniciativas previstas destaca-se o desenvolvimento de ferramentas de IA para prevenir a desflorestação na Bacia Amazónica, através da utilização de tecnologias capazes de reforçar a monitorização e a identificação de ameaças aos ecossistemas florestais.
O Diretor da Divisão de Inclusão e Políticas Digitais e Transformação Digital da UNESCO, Guilherme Canela, considera que o Instituto representa uma oportunidade para aproximar o desenvolvimento acelerado da IA das necessidades urgentes da ação climática.
O responsável sublinha que uma IA verdadeiramente sustentável deve também ser inclusiva, garantindo que os seus benefícios chegam a países e comunidades com diferentes níveis de capacidade tecnológica e institucional.
Após o lançamento, o AICI ficará formalmente aberto à adesão de Governos, instituições de investigação e parceiros financeiros internacionais interessados em promover uma transformação digital sustentável.
Com esta iniciativa, o Brasil e a ONU procuram reforçar a cooperação internacional e assegurar que a IA se torne uma ferramenta acessível, responsável e eficaz na resposta aos desafios ambientais globais.
Equipa da Tatoli

