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Testemunhos de veteranas da resistência ganham voz no documentário “Mátria”

Uma sessão fotográfica do Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes, da Ministra da Educação, Dulce Soares, representantes do CAE de Díli, após a apresentação do documentário “Mátria”, produzido pelo Arquivo & Museu da Resistência Timorense (AMRT), em Díli. Foto da Tatoli/Egas Cristóvão

DÍLI, 6 de novembro de 2026 (TATOLI) – O documentário “Mátria”, produzido pelo Arquivo & Museu da Resistência Timorense (AMRT), retrata a participação de 13 veteranas das frentes armada, clandestina e diplomática na luta pela independência do país, com o objetivo de preservar os seus testemunhos e transmitir este legado às novas gerações.

A produção foi apresentada hoje no Auditório do AMRT, em Díli, no âmbito das comemorações do 50.º aniversário do Dia Nacional da Mulher Timorense, assinalado a 3 de novembro, numa iniciativa organizada em colaboração com o Centro de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) de Díli e com outras instituições de ensino.

Intervindo no evento, o Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes, em representação do Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Agio Pereira, destacou o contributo das mulheres para a resistência e a conquista da independência nacional.

O governante recordou que, durante o conflito e a ocupação, milhares de mulheres enfrentaram violência, perseguição, tortura e perda de familiares, sem abandonarem a luta pela libertação do país.

Expedito Dias Ximenes destacou também o exemplo de Maria Tapó como símbolo do sacrifício das mulheres timorenses e reafirmou o compromisso do Governo “em promover a igualdade de direitos e oportunidades, combater a discriminação e a violência de género e reforçar a participação feminina no desenvolvimento nacional”.

Por sua vez, a Ministra da Educação, Dulce Soares, defendeu que o documentário deve chegar às escolas para que as crianças e os jovens conheçam a história das mulheres que contribuíram para a independência.

“A nossa responsabilidade é ensinar-lhes que a liberdade de que hoje possuem foi o sonho pelo qual tantas gerações lutaram”, afirmou.

A governante salientou ainda que as mulheres continuam a desempenhar um papel fundamental na construção do futuro do país, apelando a que todas as meninas e jovens tenham oportunidades para concretizar as suas aspirações e participar ativamente na sociedade.

Na mesma linha, a Representante da ONU Mulheres em Timor-Leste, Lumena Freitas, destacou que o documentário, produzido pelo AMRT com o apoio desta agência das Nações Unidas, constitui uma homenagem à coragem, à resiliência e ao contributo das veteranas para a libertação nacional.

Segundo a responsável, a produção será projetada nas escolas CAFE em todo o território, permitindo que os testemunhos das mulheres que participaram na resistência sejam conhecidos pelas novas gerações.

Lumena Freitas defendeu que o legado das veteranas não deve ficar limitado aos arquivos, museus, livros e documentários, mas deve servir de referência para a liderança feminina, a aprendizagem entre gerações e a construção de uma sociedade pacífica, inclusiva e próspera.

Por sua vez, Diretor-Executivo do AMRT, Jorge Alves, destacou que as mulheres foram parceiras fundamentais na luta pela libertação nacional e continuam a ser parceiras no desenvolvimento do país, sublinhando a importância de se reconhecer a sua participação tanto na história da resistência como na construção de Timor-Leste.

O evento contou com a participação de estudantes das escolas CAFE, professores, representantes de instituições de ensino, membros do Governo, representantes da ONU Mulheres e outros convidados.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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