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Timor-Leste reforça compromisso com a igualdade e inclusão das mulheres

Vice-Ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Céu Brites. Foto da Tatoli/Francisco Sony

DÍLI, 26 de outubro de 2026 (TATOLI) – A Secretaria de Estado da Igualdade (SEI) promoveu um seminário nacional para assinalar o 50.º aniversário do Dia Nacional das Mulheres, celebrado anualmente a 3 de novembro, destacando o papel das mulheres na luta pela libertação nacional e no desenvolvimento do país.

A Vice-Ministra da Solidariedade Social e Inclusão e Secretária de Estado da Igualdade interina, Céu Brites, defendeu que a efeméride deve servir para homenagear o contributo das mulheres timorenses e avaliar os progressos alcançados, bem como os desafios que persistem na promoção da igualdade de género e da inclusão.

Papel das mulheres na luta pela independência

Céu Brites recordou o contributo das mulheres nas três frentes da luta pela independência: Armada, Clandestina e Diplomática. “As mulheres da Frente Armada apoiaram a luta em condições difíceis, as da Frente Clandestina transmitiram informações, organizaram apoios e enfrentaram riscos, enquanto as da Frente Diplomática levaram a voz do povo timorense à comunidade internacional”, salientou.

A governante considerou que os testemunhos e as experiências destas mulheres devem ser documentados com rigor e respeito, de modo a preservar a memória coletiva e permitir que as novas gerações compreendam o seu papel na construção do país.

“A liberdade é o resultado da unidade, da solidariedade e dos sacrifícios de todo o povo. Por isso, temos a responsabilidade de transformar a memória histórica em ações concretas para defender os direitos das mulheres, reforçar a liderança feminina e garantir oportunidades iguais às gerações atuais e futuras”, declarou.

Progressos e desafios na igualdade de género

A Vice-Ministra destacou os avanços no reconhecimento dos direitos das mulheres, consagrados na Constituição, na legislação, nas políticas públicas e nos compromissos internacionais assumidos pelo país. Salientou ainda a participação feminina no Parlamento Nacional (PN), no Governo, na administração pública, na educação, na saúde, na agricultura, nos negócios e na liderança comunitária.

Apesar destes progressos, persistem obstáculos no acesso à educação, ao emprego, aos mercados e aos cargos de liderança. Nas zonas rurais, as responsabilidades familiares e o trabalho doméstico não remunerado continuam a limitar as oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional e a participação das mulheres nos processos de tomada de decisão.

A violência baseada no género e discriminação continuam igualmente a ameaçar a segurança, a dignidade e a liberdade das mulheres. Neste sentido, Céu Brites defendeu o reforço das medidas de prevenção, da proteção das vítimas e sobreviventes, dos mecanismos de encaminhamento e do acesso à justiça.

A governante apelou às famílias, às lideranças comunitárias, às instituições estatais e à sociedade civil para unirem esforços na prevenção da violência e na promoção de uma cultura de respeito. “A igualdade deve traduzir-se em oportunidades concretas, orçamentos, programas e serviços públicos que respondam às necessidades de todos os cidadãos”, afirmou.

Cinco prioridades para promover inclusão

Céu Brites identificou cinco prioridades para reforçar a igualdade de género e a inclusão: melhorar o acesso das raparigas à educação e à formação; ampliar as oportunidades económicas das mulheres; aumentar a participação nas decisões; reforçar a proteção contra a violência; e integrar a perspetiva de género nos programas e orçamentos públicos.

Segundo a governante, a concretização destas medidas exige uma estreita cooperação entre o Executivo, o PN, as instituições judiciais, o setor privado, as organizações de mulheres, a sociedade civil, os parceiros de desenvolvimento e as comunidades.

Céu Brites manifestou a expectativa de que o seminário produza recomendações concretas, defina prioridades claras e resulte em compromissos passíveis de implementação e avaliação, com impacto efetivo na vida das mulheres e das raparigas.

“A comemoração do 50.º aniversário do Dia Nacional da Mulher deve constituir um momento para reafirmarmos o nosso compromisso coletivo, garantindo que as raparigas possam aprender num ambiente seguro, que as jovens mulheres consigam concretizar os seus sonhos e que as mulheres possam liderar e participar nos processos de tomada de decisão”, afirmou.

A responsável defendeu ainda que as mulheres das zonas rurais devem dispor de condições para desenvolver as suas atividades económicas, que as mulheres com deficiência devem beneficiar de oportunidades iguais e que todas possam viver livres de violência e discriminação.

Notícia relevante: Dia Internacional da Mulher: Ramos-Horta apela a ações concretas para garantir direitos das mulheres

Jornalista: Osória Marques/Traduções: Equipa da Tatoli

Editor: Xisto Freitas

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