Ramos-Horta defende remuneração justa e sustentabilidade económica das tecelãs de Tais

DÍLI, 13 de outubro de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, defendeu hoje a necessidade de garantir uma remuneração justa às tecelãs de Tais, considerando que o valor comercial do tecido tradicional deve refletir o tempo, o conhecimento e a criatividade envolvidos na sua produção.
A posição foi manifestada durante a abertura do 4.º Fórum Nacional da Rede Soru Na’in Tais, subordinado ao tema Preservação, Empoderamento e Sustentabilidade, que reúne 250 representantes de instituições públicas, parceiros internacionais e comunidades. O evento decorreu hoje no recinto do Palácio Presidencial, em Díli.
Segundo o Chefe de Estado, a preservação do tecido tradicional do país deve ser acompanhada pelo reconhecimento do trabalho das tecelãs, pelo fortalecimento das suas organizações e pela criação de oportunidades económicas sustentáveis.

“Uma peça de Tais representa semanas de trabalho, conhecimento especializado e criatividade. O seu preço deve refletir o esforço e a competência investidos na sua produção”, afirmou.
O PR salientou que a remuneração justa constitui uma questão de justiça económica, dignidade e respeito pelas mulheres que preservam esta tradição cultural. Defendeu também que o desenvolvimento das oportunidades comerciais deve respeitar as condições de trabalho e a legislação laboral aplicável, bem como garantir que os benefícios económicos cheguem às tecelãs e às comunidades que preservam este património.
Ramos-Horta considerou que a certificação, os padrões de qualidade, a diversificação dos produtos, a criação de marcas e o acesso a novos mercados podem contribuir para fortalecer o setor, desde que sejam respeitados a autenticidade cultural, as origens dos produtos e os conhecimentos tradicionais.
ONU destaca apoio às tecelãs

Por sua vez, a Coordenadora Residente da Organização das Nações Unidas (ONU) em Timor-Leste, Funmi Balogun, destacou a importância de articular a preservação cultural, a igualdade de género e o empoderamento económico das mulheres para garantir a sustentabilidade do setor do Tais.
A responsável afirmou que o Tais representa não apenas um produto cultural, mas também uma expressão da identidade, do conhecimento e da criatividade timorenses, além de constituir uma fonte de rendimento e de oportunidades, sobretudo para as comunidades rurais.
Segundo Funmi Balogun, quando as tecelãs recebem uma remuneração justa pelo seu trabalho, conseguem melhorar os seus meios de subsistência, apoiar as famílias e contribuir para o desenvolvimento das comunidades.
A coordenadora residente recordou que desde 2019, a ONU Mulheres, em parceria com a Timor Aid e com a Fundação Alola, tem apoiado iniciativas destinadas a fortalecer a rede de tecelãs, desenvolver competências, ampliar as oportunidades de mercado e promover a defesa dos seus interesses junto das instituições públicas.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

