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Qualidade do ar deverá piorar a partir de sexta-feira

A má qualidade do ar em Díli. Foto da Tatoli/António Daciparu

DÍLI, 14 de outubro de 2026 (TATOLI) – A qualidade do ar no país deverá piorar a partir de 16 de outubro, devido à chegada de uma nova concentração de fumo proveniente das queimadas florestais e terrestres na região da Papua Ocidental, na Indonésia.

O fenómeno poderá afetar sobretudo os municípios da região leste, estendendo-se também a outras zonas do país, alertou a Direção Nacional de Meteorologia e Geofísica (DNMG).

A responsável pelas previsões públicas da DNMG, Angelina Freitas, explicou que, embora a qualidade do ar se encontre atualmente num nível moderado, as previsões apontam para uma deterioração significativa na sexta-feira, 16 de outubro, com uma intensidade estimada entre 70% e 80%, segundo a avaliação da instituição.

Em declarações à Tatoli, a dirigente afirmou que o fumo deverá chegar durante a madrugada ou nas primeiras horas da manhã de sexta-feira, afetando inicialmente sobretudo os municípios de Lautém, Baucau e Viqueque.

“Embora neste momento o céu ainda pareça relativamente limpo, na sexta-feira poderá ficar mais escuro devido à chegada de novo fumo proveniente da Papua Ocidental”, explicou.

Segundo a responsável, os ventos poderão transportar as partículas poluentes para outras zonas do território nacional. A DNMG prevê que a situação se agrave durante a tarde e início da noite de sexta-feira, períodos em que a qualidade do ar poderá atingir níveis mais preocupantes.

Num boletim de alerta emitido hoje, a Direção confirma a possibilidade de agravamento da poluição atmosférica durante o fim de semana, prevendo que as condições desfavoráveis persistam no sábado, dia 17, podendo registar-se uma melhoria gradual a partir de domingo, dia 18.

O alerta surge após vários dias de má qualidade do ar na capital. Dados das estações automáticas de monitorização instaladas no Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato, em Comoro, e no Ministério dos Transportes e Comunicações, em Caicoli, indicam que Díli registou sete dias consecutivos de má qualidade do ar desde dia 6 de outubro.

De acordo com a DNMG, a situação está relacionada com o transporte de fumo e partículas poluentes provenientes das queimadas florestais na Indonésia, sobretudo na região da Papua Ocidental. Os ventos associados à monção australiana favorecem o transporte destes poluentes até à ilha de Timor.

As queimadas realizadas localmente, incluindo a queima de terrenos para fins agrícolas, também poderão contribuir para a deterioração da qualidade do ar.

ngelina Freitas alertou que o aumento da concentração de fumo poderá provocar problemas de saúde, sobretudo entre as pessoas mais vulneráveis.

“O fumo poderá intensificar‑se, provocando impactos na saúde, sobretudo nas vias respiratórias, além de irritação ocular, vermelhidão dos olhos e sensação de calor corporal”, advertiu.

O fumo das queimadas contém partículas em suspensão que podem ser transportadas pelo vento a longas distâncias. As partículas finas, nomeadamente PM2,5, são particularmente preocupantes, uma vez que conseguem penetrar profundamente nos pulmões e, em determinadas circunstâncias, entrar na corrente sanguínea.

A exposição a estes poluentes pode provocar tosse, irritação ocular e das vias respiratórias, dificuldades respiratórias e agravamento de doenças respiratórias ou cardiovasculares preexistentes. A gravidade dos efeitos depende da concentração de poluentes e da duração da exposição.

Perante a previsão de agravamento da qualidade do ar, a DNMG recomenda à população que evite atividades físicas ao ar livre, sobretudo nos períodos de maior concentração de fumo, e que permaneça em espaços interiores sempre que possível. A instituição aconselha ainda a utilização de máscaras com capacidade de filtragem adequada, como as N95, quando for necessário permanecer no exterior, e recomenda que portas e janelas permaneçam fechadas durante os períodos de maior poluição.

A DNMG pede especial atenção às crianças, idosos, grávidas e às pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares, por serem grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica. Quem apresentar sintomas como tosse persistente, irritação ocular ou dificuldades respiratórias deve procurar assistência médica, sobretudo se os sintomas persistirem ou se agravarem.

A instituição continuará a acompanhar a evolução da situação através de imagens de satélite e das estações de observação, comprometendo‑se a atualizar as informações sempre que se verifiquem alterações significativas.

Notícia relevante: Qualidade do ar obriga à suspensão das aulas presenciais entre 15 e 17 de outubro

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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