Top

Timor-Leste prevê crescimento não petrolífero económico de 4,6% e aumento da dívida externa para 364,6 milhões de dólares em 2027

A bandeira de Timor-Leste. Foto da Tatoli/António Daciparu

DÍLI, 14 de outubro de 2026 (TATOLI) – O país deverá registar, em 2027, um crescimento económico não petrolífero de 4,6%, uma inflação média de 1,8% e um aumento da dívida pública externa para 364,6 milhões de dólares americanos em 2027, segundo as projeções do Ministério das Finanças (MF).

As estimativas foram apresentadas hoje, durante o Seminário Panorama Orçamental 2027, organizado pela Comissão C do Parlamento Nacional e realizado no Auditório do MF, em Díli.

As previsões apontam para uma evolução positiva da economia, impulsionada pelo investimento, pelo consumo das famílias e pelas exportações. Contudo, a dependência dos produtos importados, a exposição às flutuações dos preços internacionais e o crescente recurso a empréstimos para financiar o desenvolvimento nacional continuam a representar desafios à sustentabilidade económica e financeiro do país.

Crescimento económico deverá atingir 4,6%

De acordo com o MF, o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) não petrolífero deverá atingir 4,6% no próximo ano, acima dos 4,3% registados em 2025 e da mesma taxa prevista para 2026.

O investimento deverá aumentar 6,5%, o consumo das famílias 3%, o consumo público 3,6% e as exportações 9,3%.

A Vice-Ministra das Finanças, Regina de Sousa, afirmou que esta evolução poderá contribuir para a criação de emprego, o dinamismo das empresas e o aumento dos rendimentos das famílias.

Contudo, alertou que a economia nacional permanece excessivamente dependente da despesa pública, defendendo o reforço da capacidade produtiva e a criação de oportunidades de emprego sustentáveis.

O Governo pretende promover investimento produtivo nos setores da agricultura, pescas, turismo e infraestruturas, bem como incentivar o desenvolvimento do setor privado. O MF prevê, porém, que o crescimento abrande para 4,4% em 2028, antes de recuperar gradualmente e atingir 5% em 2031.

A realização de eleições em 2027 e 2028 poderá também afetar a atividade económica, devido a eventuais atrasos nos procedimentos administrativos, na contratação pública e na aprovação de contratos.

Segundo Regina de Sousa, a incerteza política poderá levar algumas empresas a adiar decisões de investimento, expansão e contratação de trabalhadores até existir maior clareza sobre as orientações governamentais.

Inflação prevista em 1,8%, mas persistem riscos externos

O Executivo prevê uma inflação média de 1,8% em 2027, abaixo do limite de referência de 4% definido na política governamental.

A inflação desceu de 8,4% em 2023 para 0,5% em 2025, sendo estimada em 0,7% para 2026. Apesar desta evolução, o MF alerta que a estabilidade dos preços continua vulnerável às flutuações internacionais, dada a elevada dependência de bens importados.

Segundo os dados apresentados, 64% das despesas das famílias correspondem a produtos cujos preços são diretamente influenciados pelos mercados externos, expondo o país às variações dos preços dos combustíveis, alimentos e outros bens essenciais.

A Vice-Ministra recordou a subida dos preços internacionais dos combustíveis em 2026, que levou o Governo a adotar medidas de emergência, incluindo subsídios e limites aos preços: 1,50 dólares por litro de gasolina e 1,65 dólares por litro de gasóleo. Foram disponibilizados 42 milhões de dólares em subsídios e 174,3 milhões para a reserva estratégica de combustíveis.

Embora estas medidas atenuem o impacto sobre os consumidores, representam encargos significativos para as finanças públicas. Regina de Sousa defendeu, por isso, o aumento da produção alimentar nacional, a diversificação das fontes de energia e a melhoria das infraestruturas de transporte e logística.

Dívida pública externa deverá aumentar para 364,6 milhões

O MF prevê que a dívida pública externa aumente de 307,1 milhões de dólares em 2026 para 364,6 milhões no final de 2027, um acréscimo de 57,5 milhões.

O montante projetado corresponde a cerca de 17% do PIB, permanecendo abaixo do limite de referência de 40% utilizado na análise do Ministério.

Os encargos com o serviço da dívida deverão representar 3,8% das receitas públicas em 2027, aumentando para cerca de 5,5% em 2030. Ambos os valores permanecem abaixo do limite de referência de 14% indicado no documento.

No que respeita à carteira de empréstimos públicos, o Executivo tem financiamentos aprovados no valor total de 804,9 milhões de dólares junto de instituições financeiras e parceiros internacionais.

O Banco Asiático de Desenvolvimento representa a maior parcela, com 557 milhões, seguido do Banco Mundial, com 134,2 milhões. Os empréstimos da Agência de Cooperação Internacional do Japão totalizam 68,7 milhões, enquanto o Fundo Australiano de Financiamento de Infraestruturas para o Pacífico representa 45 milhões.

O valor dos empréstimos aprovados não corresponde à dívida efetivamente em aberto, uma vez que representa o financiamento autorizado no âmbito da carteira de empréstimos públicos.

O custo médio dos empréstimos é de 3,2%, enquanto a rendibilidade histórica média dos investimentos do Fundo Petrolífero se situa em 4,7%. Cerca de 70% da dívida pública está denominada em dólares americanos.

No âmbito da proposta de Orçamento Geral do Estado para 2027, o Governo prevê recorrer a 75 milhões de dólares em empréstimos para financiar necessidades da Administração Central e da Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno, complementando receitas internas, levantamentos do Fundo Petrolífero, saldos de caixa e apoio orçamental direto.

O MF sublinha a importância de gerir os riscos fiscais, incluindo encargos da dívida, garantias do Estado e outras obrigações potenciais que possam afetar as contas públicas.

A manutenção do crescimento económico, o controlo da inflação e uma gestão prudente da dívida serão determinantes para assegurar a sustentabilidade das finanças públicas e promover um desenvolvimento que gere emprego e melhores condições de vida para a população.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

Publisidade

Leave a Reply

Latest Post

error: Content is protected !!