Tecnologia nuclear aposta no combate ao desperdício de mil milhões de toneladas de alimentos

DÍLI, 6 de outubro de 2026 (TATOLI) – Cerca de mil milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas todos os anos em todo o mundo, o equivalente a quase 20% dos alimentos disponíveis para consumo.
Perante este cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) está a promover soluções que incluem o recurso a tecnologias nucleares para reduzir as perdas alimentares e reforçar a segurança dos alimentos.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estima que 13,2% dos alimentos produzidos se perdem antes de chegarem às prateleiras, representando perdas económicas significativas ao longo da cadeia de abastecimento.
O desperdício alimentar tem igualmente consequências ambientais, uma vez que implica um uso desnecessário de água, solo e energia e contribui para as emissões de gases com efeito de estufa.
Neste contexto, a FAO e a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) têm reforçado a cooperação para aplicar tecnologias nucleares na prevenção de perdas e na melhoria da segurança alimentar.
Irradiação para prolongar conservação
Uma das soluções em desenvolvimento é a irradiação de alimentos, uma técnica que utiliza doses controladas de radiação ionizante, como raios gama, raios X ou feixes de eletrões de elevada energia.
Segundo as duas organizações, o processo pode eliminar microrganismos nocivos e retardar a deterioração dos alimentos, permitindo prolongar a conservação e reduzir as perdas durante o armazenamento e o transporte.
A técnica não torna os alimentos radioativos e, quando aplicada de acordo com as normas estabelecidas, permite preservar a segurança e as características dos produtos.
O Centro Conjunto FAO/AIEA também recorre a técnicas de diagnóstico baseadas na ciência nuclear para detetar resíduos de pesticidas, toxinas e outros contaminantes. Estes métodos podem contribuir para acelerar os processos de controlo e evitar que alimentos em condições de consumo sejam descartados desnecessariamente.
Proteção das culturas
A cooperação entre a FAO e a AIEA abrange ainda a produção agrícola. Entre as técnicas utilizadas está a indução de mutações por radiação, que permite desenvolver variedades de culturas mais resistentes a doenças e às alterações climáticas.
Outra ferramenta é a Técnica do Inseto Estéril, que consiste na utilização de insetos esterilizados para reduzir as populações de determinadas pragas. A estratégia pode ajudar a proteger as culturas e a prevenir perdas antes da chegada dos produtos ao mercado.
As iniciativas integram-se em programas como o Atoms4Food, uma parceria que procura aplicar a ciência e a tecnologia nuclear a desafios relacionados com a produção agrícola, a segurança alimentar e a redução do desperdício.
Com estas medidas, a FAO e a AIEA defendem que a tecnologia nuclear pode contribuir para proteger as colheitas, melhorar a segurança dos alimentos, reduzir perdas ao longo da cadeia de abastecimento e facilitar o comércio internacional.
O objetivo é aproveitar estas ferramentas para responder simultaneamente a dois desafios globais: garantir o acesso a alimentos seguros e nutritivos e reduzir a quantidade de alimentos que é perdida ou desperdiçada todos os anos.
Equipa da Tatoli

