Formalizado acordo para preparar projeto de energia eólica em Larigutu e Oeleu

DÍLI, 06 de outubro de 2026 (TATOLI) – A Eletricidade de Timor-Leste (EDTL) e a Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, formalizaram hoje um acordo de assistência técnica para a preparação do projeto de energia eólica em Larigutu, Viqueque, e Oeleu, Bobonaro.
O acordo prevê o apoio técnico da IFC à EDTL na preparação da documentação necessária para o lançamento do concurso público.
O Presidente da Conselho da Administração da EDTL, Paulo da Silva, explicou que o estudo de viabilidade do projeto de energia eólica já começou no ano passado.
“Esperamos que no próximo ano possamos lançar o concurso e, se tudo correr bem, poderemos assinar o Contrato de Compra de Energia em meados ou no final de 2027”, disse o responsável.
Projeto deverá seguir modelo de produtor independente
Sobre o modelo de implementação, Paulo da Silva referiu que ainda não foi definido o montante final do investimento, uma vez que a preparação técnica e as estimativas continuam em curso.
“No que diz respeito a este projeto, ainda não sabemos qual será o montante necessário, porque o processo de preparação e a estimativa técnica ainda estão em curso. No entanto, vamos aplicar uma modalidade semelhante à do projeto solar fotovoltaico em Manatuto, através do modelo de Produtor Independente de Energia, em que o setor privado fará o investimento”, explicou.
Por sua vez, o representante do Banco Mundial em Timor-Leste, David Freedman, considerou que o acordo constitui um passo importante, por estabelecer o enquadramento para a assistência técnica à EDTL na preparação do projeto.
David Freedman explicou que o projeto poderá apoiar a EDTL e o Governo no cumprimento das metas e objetivos definidos no Plano de Médio Prazo 2027–2030.
“Os técnicos da IFC vão trabalhar em conjunto com a EDTL para estudar em profundidade a possibilidade de desenvolver projetos de produção de eletricidade em Larigutu e Oeleu”, afirmou.
O representante acrescentou que já foram instaladas torres de medição, com 100 metros de altura, nos dois locais, para avaliar a força do vento.
“Vamos preparar um plano detalhado para o projeto e, quando estiver concluído, poderemos lançar o concurso público”, salientou.
Governo quer reduzir dependência energética
O Ministro das Obras Públicas, Samuel Marçal, afirmou que a formalização do acordo representa mais um passo importante para o futuro energético no país.
O governante recordou que os conflitos no Médio Oriente têm afetado os preços do petróleo em vários países, pelo que defendeu a necessidade de Timor-Leste reduzir a dependência de recursos energéticos do exterior.
“Timor-Leste ainda não produz muitos bens no país e continua muito dependente do exterior. Isso não significa que não tenhamos recursos no nosso território. Temos muitas riquezas e precisamos de desenvolver esses recursos para ajudar a sustentar o Estado no futuro”, referiu.
Samuel Marçal considerou que o desenvolvimento da energia eólica representa as medidas previstas nos planos estratégicos do Executivo para diversificar as fontes de energia elétrica.
“Poderemos começar a utilizar energia proveniente do vento e do sol e, assim, reduziremos o orçamento para a produção de eletricidade”, disse.
Projeto poderá estar concluído entre 2028 e 2029
O ministro disse esperar que o projeto seja concluído entre 2028 e 2029. “Agradeço à IFC e a todas as partes envolvidas. Espero que, até ao final de 2027 ou em meados desse ano, possamos avançar com o processo de aprovisionamento e que, no final de 2028 ou em 2029, possamos concluir o projeto”, afirmou.
O governante acrescentou que a meta do Executivo é garantir que, entre 2030 e 2031, a EDTL alcance maior autonomia financeira e reduza a dependência de subsídios públicos.
Segundo Samuel Marçal, a redução dos custos de produção de eletricidade poderá diminuir a pressão sobre o Orçamento do Estado e permitir que os recursos atualmente destinados à EDTL sejam canalizados para outros setores, incluindo o desenvolvimento das áreas rurais.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editor: Rafael Ximenes de A. Belo

