CLJ assinala dez anos de formação em língua portuguesa

DÍLI, 24 de setembro de 2026 (TATOLI) – O Consultório da Língua para Jornalistas (CLJ) assinalou hoje o seu 10.º aniversário com várias atividades. O programa incluiu a atividade “Riska-Riska: 10 palavras para o futuro do jornalismo em língua portuguesa em Timor-Leste”, a entrega de prémios aos melhores jornalistas em língua portuguesa, a apresentação dos vídeos “10 anos em números” e “10 anos, 10 histórias” e uma mesa-redonda sob o tema “Depois de 10 anos: que jornalismo queremos para Timor-Leste?”.
A celebração decorreu no Centro Cultural Jorge Sampaio, na Embaixada de Portugal em Díli, reunindo membros do Governo, representantes do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, instituições parceiras, jornalistas, formadores, revisores, antigos formandos e alunos finalistas do curso de comunicação social da Universidade Nacional Timor Lorosa’e.
Intervindo no evento, o Embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Alves, considerou o CLJ um contributo “inestimável” para o jornalismo em língua portuguesa e destacou o trabalho desenvolvido pelo projeto ao longo da última década.
Duarte Alves recordou as visitas que realizou às instalações do CLJ, onde conheceu o trabalho dos formadores e revisores e os manuais produzidos pela equipa do projeto. O diplomata deixou também uma palavra de reconhecimento aos responsáveis, formadores, formandos, antigos formandos e profissionais que passaram pelo projeto.
Liberdade de imprensa e formação
Duarte Alves destacou a liberdade de imprensa como condição essencial do Estado de direito e afirmou que a sua proteção depende de condições legislativas, institucionais e profissionais.
O Embaixador referiu-se à posição de Timor-Leste no Índice Mundial da Liberdade de Imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras, que coloca o país na 30.ª posição mundial em 2026.
Recordou ainda que a Constituição de Timor-Leste consagra a liberdade de imprensa no artigo 40.º, salientando o papel do enquadramento constitucional e legislativo, da sociedade civil e dos jornalistas na construção de um ambiente de liberdade de imprensa no país.
Para Duarte Alves, a liberdade de imprensa deve ser acompanhada por profissionais preparados para exercer o jornalismo com rigor, conhecimento técnico, respeito pelas regras deontológicas e capacidade de verificação de factos.
“O jornalismo é uma profissão tecnicamente exigente, em que as pessoas têm de aprender, têm de fazer o seu percurso”, afirmou.
O diplomata explicou que o CLJ está integrado no Programa Estratégico de Cooperação (PEC) 2024-2028 entre Portugal e Timor-Leste, no âmbito do qual a formação de jornalistas constitui uma das áreas de cooperação bilateral.
Segundo informou Duarte Alves, o projeto é financiado pelo Instituto Camões, com uma componente orçamental do Governo timorense, representando um investimento português de cerca de um milhão de euros, o equivalente a 1,14 milhões de dólares americanos.
O Embaixador apontou ainda a Inteligência Artificial como um dos desafios para o futuro do jornalismo, nomeadamente em matéria de produção de conteúdos, verificação e identificação das fontes.
Por sua vez, o Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Ximenes, afirmou que os dez anos do CLJ representam um percurso de parceria e investimento na qualificação dos profissionais da comunicação social e no uso correto e rigoroso da língua portuguesa no jornalismo.
“O CLJ nasceu em setembro de 2016, fruto da parceria entre o Camões e a Secretaria de Estado da Comunicação Social, com um propósito muito concreto: contribuir para a qualificação dos profissionais de comunicação social e para o uso correto, rigoroso e profissional da língua portuguesa no jornalismo”, afirmou.
Segundo o governante, ao longo da primeira década, o projeto realizou 9.744 horas de formação, constituiu 54 turmas de português para jornalistas e formou 289 jornalistas, 68 profissionais do Governo e 18 estagiários, além de cinco revisores linguísticos timorenses. O CLJ produziu ainda 15 manuais e um estudo sobre as necessidades formativas dos jornalistas de Timor-Leste.
Para Expedito Ximenes, os resultados do projeto não devem ser medidos apenas pelos números, mas também pelas competências adquiridas pelos profissionais e pela melhoria dos conteúdos jornalísticos produzidos em língua portuguesa.
“Por trás de cada jornalista formado há uma pessoa que adquiriu novas competências. Por trás de cada texto revisto há uma preocupação com o rigor. Por trás de cada notícia produzida em português há um profissional que encontrou na língua uma ferramenta de trabalho e de comunicação com os cidadãos”, salientou.
Apoio às redações
Ao longo da sua existência, o CLJ desenvolveu a formação em ligação direta com os órgãos de comunicação social, procurando responder às necessidades dos profissionais e das redações. Atualmente, o projeto apoia quatro órgãos de comunicação social: a Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL); a Tatoli, Agência Noticiosa de Timor-Leste; o Grupo Media Nacional (GMN); e o Diligente.
Expedito Ximenes destacou ainda o impacto do projeto na expansão da produção jornalística em língua portuguesa, referindo que sete antigos formandos estiveram na origem do Diligente, o primeiro jornal timorense online integralmente em português.
Nova etapa centrada na transformação digital
O governante defendeu que a evolução do jornalismo exige uma adaptação contínua da formação às novas necessidades das redações.
Segundo Expedito Ximenes, a primeira fase do CLJ esteve centrada no reforço das competências linguísticas; a segunda alargou a intervenção às competências linguísticas e jornalísticas; e a nova etapa deverá consolidar a produção de conteúdos em língua portuguesa.
“Hoje, uma redação trabalha num ambiente muito diferente daquele que existia em 2016. As redes sociais alteraram a forma como a informação circula. A velocidade de produção aumentou. A desinformação tornou-se um desafio permanente. E a Inteligência Artificial começa a transformar os métodos de trabalho dos jornalistas”, afirmou.
Para os próximos anos, defendeu o reforço da formação em língua portuguesa e em áreas como jornalismo digital, verificação de factos, ética profissional, pensamento crítico e utilização de novas ferramentas tecnológicas.
Notícia relevante: Portugal reafirma apoio ao jornalismo timorense em visita ao CLJ
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

