Chuvas incessantes dificultam resgates e agravam crise no Nepal

DÍLI, 3 de setembro de 2026 (TATOLI) — As chuvas persistentes continuam a dificultar as operações de busca e resgate no Nepal, quase uma semana depois do colapso de um glaciar na fronteira entre a China e o Nepal, informou a Organização das Nações Unidas (ONU).
O desastre já provocou mais de mil mortos e deixou mais de 4.700 pessoas desaparecidas até quarta-feira. As condições meteorológicas adversas mantêm várias zonas isoladas e aumentam o risco de novos deslizamentos de terras, complicando o acesso das equipas de emergência às comunidades afetadas.
Do lado chinês da fronteira, as autoridades confirmaram 16 mortos e 546 desaparecidos.
Equipas de resgate chegam a zonas isoladas
As operações de busca prosseguem sob forte pressão. Equipas da Cruz Vermelha começaram a chegar a algumas das áreas mais devastadas e de difícil acesso, incluindo o distrito de Rasuwa, onde o terreno instável e a continuidade das chuvas representam uma ameaça imediata tanto para sobreviventes como para socorristas.
A ONU Mulheres estima que cerca de 43 mil mulheres e raparigas necessitam de assistência humanitária urgente. Organizações parceiras no terreno relatam escassez de alimentos e dificuldades no acesso à água potável, depois de as cheias terem destruído sistemas de abastecimento, estradas e pontes.
Segundo os relatos recolhidos pela agência, várias grávidas e pessoas com deficiência foram arrastadas pelas águas em várias comunidades, por não conseguirem deslocar-se atempadamente para locais seguros.
Para as mulheres que permanecem nas zonas mais afetadas, a alimentação é apontada como a necessidade mais urgente, enquanto o acesso à água potável continua severamente condicionado pela destruição das infraestruturas.
Aumentam riscos de violência e tráfico
A ONU Mulheres alerta ainda para o agravamento dos riscos de violência de género, exploração e o tráfico de seres humanos. A Diretora Regional da agência para a Ásia e o Pacífico, Christine Arab, afirmou, a partir de Genebra, que as organizações lideradas por mulheres têm reportado condições particularmente preocupantes enfrentadas pelas sobreviventes.
Em alguns dos distritos mais atingidos, uma em cada três mulheres é analfabeta, o que dificulta o acesso à informação e aos serviços de apoio disponíveis. A mesma proporção aplica-se às famílias atualmente chefiadas por mulheres.
A responsável destacou ainda o aumento significativo do trabalho de cuidados não remunerado: antes da catástrofe, as mulheres já asseguravam cerca de 85% dessas tarefas.
Participação das mulheres é essencial na resposta
A ONU Mulheres defende uma maior participação das mulheres na resposta à emergência e no processo de recuperação do país. As organizações lideradas por mulheres são consideradas parceiras fundamentais na resposta humanitária, mas experiências de crises anteriores mostram que a sua participação na solicitação e receção de assistência foi limitada.
A agência sublinha que a resposta à atual crise deve considerar as necessidades específicas de mulheres e raparigas e reconhecê-las como intervenientes essenciais nos esforços de recuperação e reconstrução do Nepal.
Equipa da Tatoli

