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Governo e BAD reforçam apoio ao setor do café com subvenção de 4,95 milhões de dólares

Governo e BAD reforçam apoio ao setor do café com subvenção de 4,95 milhões de dólares

A Ministra das Finanças, Santina Cardoso, e o Chefe de Operações e Responsável Interino da Missão Residente do BAD em Timor-Leste, Michael Joseph Walsh, formalizaram uma parceria no setor económico. Foto da Tatoli/António Daciparu

DÍLI, 24 de julho de 2026 (TATOLI) – O Governo e o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) assinaram, hoje, uma subvenção adicional de 4,95 milhões de dólares americanos para a expansão do Projeto de Melhoria dos Meios de Subsistência do Café e da Agrofloresta (CALIP, em inglês).

O projeto visa aumentar a produtividade do café, reforçar os sistemas agroflorestais e melhorar a resiliência económica das comunidades rurais face às alterações climáticas.

O acordo foi assinado pela Ministra das Finanças, Santina Cardoso, e pelo Chefe de Operações e Responsável Interino da Missão Residente do BAD em Timor-Leste, Michael Joseph Walsh, na presença do Embaixador do Japão em Timor-Leste, Yamamoto Yasushi, do Ministro da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Marcos da Cruz, e da Secretária de Estado para a Igualdade, Elvina Sousa Carvalho, numa cerimónia realizada no Auditório Kay Rala Xanana Gusmão, do Ministério das Finanças, em Díli.

Durante a sua intervenção, Santina Cardoso afirmou que o financiamento adicional constitui um marco importante na parceria entre o Governo, o BAD e o Japão, destinada a reforçar um dos setores económicos mais estratégicos do país.

Segundo Santina Cardoso, o café é, há muito, a principal fonte de rendimento das zonas rurais, garantindo meios de subsistência a cerca de 20% a 25% dos agregados familiares. “Ao apoiarmos o setor do café, estamos a apoiar diretamente os meios de subsistência das famílias rurais, a fortalecer a economia local e a investir num dos mais importantes produtos de exportação de Timor-Leste”, afirmou.

A governante explicou que o CALIP já beneficiou cerca de dois mil agregados familiares agricultores de Aileu, Ainaro, Bobonaro, Ermera, Liquiçá e Manufahi.

No âmbito do projeto, os agricultores recebem formação em boas práticas agrícolas, acesso facilitado ao financiamento e apoio técnico para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade do café e reforçar a capacidade de gestão de riscos.

A ministra sublinhou que as alterações climáticas representam atualmente um dos maiores desafios para o setor cafeeiro nacional. As mudanças nos padrões de precipitação, os períodos prolongados de seca e o aumento das temperaturas têm comprometido a produtividade agrícola, o rendimento dos agricultores e a segurança alimentar.

Por esse motivo, o financiamento adicional será direcionado para o desenvolvimento de práticas de cultivo do café e de agrofloresta mais resilientes às alterações climáticas, através de soluções baseadas na natureza, como a plantação de árvores de sombra, a consociação de culturas e a recolha de águas pluviais, com o objetivo de preservar a fertilidade dos solos e estabilizar a produção.

Além de reforçar a resiliência climática, o projeto irá melhorar a qualidade do café, reforçar as estratégias de comercialização e de promoção do café timorense e elaborar um plano de desenvolvimento do mercado para os próximos cinco anos. O Sistema de Informação Agrícola será igualmente aperfeiçoado, integrando dados sobre riscos climáticos para apoiar agricultores, cooperativas e entidades governamentais na definição de intervenções mais eficazes.

Santina Cardoso acrescentou que o projeto inclui, pela primeira vez, uma componente específica dedicada ao reforço da resiliência climática e ao empoderamento económico das mulheres e dos jovens. “Quando as mulheres e os jovens têm melhor acesso à formação, ao financiamento e às oportunidades de mercado, os agregados familiares tornam-se mais resilientes e a economia rural desenvolve-se de forma mais dinâmica”, afirmou.

Por sua vez, Michael Joseph Walsh destacou que o financiamento adicional permitirá expandir um programa que já tem ajudado os pequenos produtores a aumentar a produção de café, fortalecer os sistemas agroflorestais e construir meios de subsistência mais resilientes.

“O café não é apenas um produto de exportação para Timor-Leste, mas também uma fonte de rendimento, identidade e esperança para as comunidades rurais. Atualmente, representa mais de 95% das exportações não petrolíferas do país e é cultivado por mais de um terço dos agregados familiares. No entanto, muitos agricultores continuam a enfrentar baixa produtividade, acesso limitado aos mercados e ao financiamento, insegurança alimentar e os crescentes impactos das alterações climáticas”, disse.

O dirigente explicou que o financiamento adicional inclui uma subvenção de quatro milhões de dólares do Fundo Asiático de Desenvolvimento do BAD e 950 mil dólares do Fundo Verde para o Clima, através do Fundo de Investimento do Programa de Parceria para a Resiliência das Comunidades, gerido pelo BAD. Com este reforço, a que se junta o financiamento inicial concedido pelo Governo do Japão, o investimento total no CALIP ascende agora a 7,95 milhões de dólares.

Acrescentou que o projeto irá reforçar a formação, promover a liderança feminina, desenvolver competências empresariais, diversificar os meios de subsistência e apoiar grupos de mulheres e jovens na criação de negócios resilientes às alterações climáticas nos setores do café e da agrofloresta.

Notícia relevante: Marcos da Cruz: mais de 60 mil famílias timorenses dependem do café

Jornalista: Cidalia Fátima/Traduções: Equipa da Tatoli

Editora: Armandina Moniz

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