DÍLI, 26 de outubro de 2024 (TATOLI) – Especificamente, aumentar o tempo de intervalo entre duas gravidezes foi conselho assumido para diminuir os índices de mortalidade de grávidas, parturientes e bebés, quer no nascimento, quer nos meses seguintes e, em geral, contribuir para reduzir a mortalidade materno-infantil no país é objetivo do lançamento da Campanha Nacional do Planeamento Familiar sob o tema três anos intervalo de nascimentos, bom para mim, para a família, para a comunidade e para a nação, que decorreu em Bidau Lecidere, Díli.
O evento foi organizado pelo Ministério da Saúde (MS), com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e do Governo do Japão e contou, entre outros, dirigentes do Ministério da Saúde, agências internacionais, bem como os Embaixadores do Japão, Tetsuya Kimura, e da Malásia, Amarjit Singh. Intervindo, o Vice-Ministro para o Fortalecimento Institucional da Saúde, José Magno, destacou a importância da campanha em apreço e defendeu que um intervalo de tempo razoável, no caso três anos, entre os nascimentos traz benefícios para as mães e crianças.
Referindo-se especificamente àquela campanha, o governante recordou que, de acordo com dados do Inquérito Demográfico e de Saúde de 2016, a taxa de mortalidade materna em Timor-Leste foi de 195 por 100 mil nados vivos, a taxa de mortalidade neonatal foi de 52 por mil nados vivos e a taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos foi de 41 por mil nados vivos. José Magno acrescentou que conforme os Censos da População e Habitação de 2022, a taxa de natalidade na adolescência no país foi de 4,9%, principalmente entre pessoas com baixo nível de escolaridade e em áreas remotas.
O Vice-Ministro sublinhou ainda que os dados revelam que as crianças nascidas com um intervalo de nascimento inferior a três anos têm uma probabilidade de 1,5 vezes maior de não sobreviver na primeira semana após o parto, enquanto as crianças têm um risco de 2,4 vezes maior de falecer antes dos cinco anos. E citou estatísticas: “Quando se proporciona um espaço de dois anos, pode reduzir-se a taxa de mortalidade neonatal em 13%, e quando este aumenta até três anos, reduzir-se-á a mortalidade neonatal em 25%”.
José Magno referiu-se depois às parturientes e jovens mães. Asseverou que dados apontam que quando se proporciona um intervalo de tempo de três anos entre gravidezes e/ou partos, permite-se às mães recuperarem melhor o estado físico e mental por se lhes dar tempo para cuidarem de si e dos seus bebés, afirmando que “esta abordagem contribui para reduzir o baixo peso durante o parto, que afeta 10% ou mais dos recém-nascidos no nosso país”.
Para reforçar a implementação da iniciativa, José Magno acrescentou que o MS está empenhado em levar a cabo várias ações, entre outras, o aumento da dotação orçamental para os programas de saúde materno-infantil com vista a melhorar a prestação de serviços de saúde essenciais eficazes e de qualidade, apostando na formação dos recursos humanos para melhorar as competências e os conhecimentos técnicos na prestação de cuidados de qualidade e dignos à comunidade.
O Vice-Ministro frisou que o ministério tenciona expandir também os serviços integrados de saúde reprodutiva e proporcionar espaços seguros para as vítimas de violência de género, bem como construir infraestruturas para serviços essenciais em 20 instalações apoiadas pelo Governo do Japão com um valor de sete milhões de dólares e de dois milhões de dólares pelo Governo australiana.
Por sua vez, o Representante da UNFPA em Timor-Leste, Bruce Campbell, afirmou que o intervalo entre nascimentos “não é apenas uma questão de saúde, mas é um direito humano e um caminho para famílias e comunidades mais saudáveis. Este intervalo permite que as mães recuperem física e mentalmente do parto, bem como melhorarem a sua saúde e bem-estar geral”.
“As provas demonstram que um intervalo de tempo adequado entre os partos reduz significativamente a taxa de mortalidade materna e infantil. Os bebés nascidos após um intervalo de três anos têm mais probabilidades de prosperar, de ter uma melhor nutrição e de obter melhores resultados escolares”, apontou Bruce Campbell. Para cumprir este objetivo, referiu o mesmo, enfatizou que é necessário que o ministério coopere com instituições associadas para garantir que todos tenham acesso a serviços de saúde reprodutiva, incluindo contraceção, aconselhamento e educação sobre os benefícios do intervalo entre partos.
Notícia relevante: Planeamento familiar contribui para redução da mortalidade materno-infantil
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




