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Conferência regional reforça papel das cooperativas no desenvolvimento económico de Timor-Leste

O Secretário de Estado das Cooperativas, Arsénio Pereira, participou na Conferência Regional das Cooperativas de Díli e Diálogo Ministerial e a Exposição Cooperativa da ASEAN. Foto da Tatoli/Francisco Sony

DÍLI, 2 de outubro de 2026 (TATOLI) — Estão a decorrer, até dia 4, em Díli, a Conferência Regional das Cooperativas de Díli e Diálogo Ministerial e a Exposição Cooperativa da ASEAN, iniciativas subordinadas ao tema “Empoderar Comunidades, Ligar Nações”.

As iniciativas reúnem líderes e representantes do movimento cooperativo de países da ASEAN para partilhar experiências, estabelecer parcerias e discutir soluções práticas destinadas a reforçar o contributo das cooperativas para o crescimento económico inclusivo, o empoderamento das comunidades e a prosperidade comum.

Na sua intervenção, o Ministro do Comércio e Indústria, Filipus Nino Pereira, afirmou que a conferência constitui uma oportunidade para fortalecer o papel das cooperativas num modelo de desenvolvimento económico centrado nas pessoas e nas comunidades.

Segundo o governante, o desenvolvimento económico não deve depender exclusivamente do Governo e do investimento privado, devendo também garantir às comunidades condições para se organizarem, participarem na atividade económica, produzirem e beneficiarem diretamente do crescimento.

As cooperativas, acrescentou, podem contribuir para responder às necessidades económicas e sociais das comunidades, nomeadamente através da ligação entre agricultores e mercados, da melhoria do acesso ao financiamento, da criação de rendimento e emprego e do reforço da resiliência comunitária.

“O membro de uma cooperativa não é apenas beneficiário, mas também membro e proprietário da sua própria empresa”, salientou.

Cooperativas e integração regional

Filipus Nino Pereira destacou igualmente a relevância das cooperativas no processo de integração de Timor-Leste na ASEAN e na implementação da Visão da Comunidade ASEAN 2045, que ambiciona construir uma comunidade regional resiliente, inovadora, dinâmica e centrada nas pessoas.

Neste contexto, considerou que Timor-Leste pode beneficiar da experiência dos países da região, particularmente nas áreas de governação das cooperativas, acesso ao financiamento, transformação digital, capacitação de mulheres e jovens e ligação dos produtos locais aos mercados nacionais e regionais.

Para o ministro, o tema da conferência transmite a ideia de que comunidades mais fortes contribuem para países mais fortes, enquanto a ligação entre cooperativas, produtores e comunidades através das fronteiras pode contribuir para o fortalecimento da região.

Movimento cooperativo timorense em crescimento

OSecretário de Estado das Cooperativas, Arsénio Pereira, afirmou que a participação de representantes regionais demonstra um compromisso conjunto para fortalecer o movimento cooperativo como instrumento de desenvolvimento económico inclusivo, empoderamento comunitário, solidariedade social e crescimento sustentável.

Segundo Arsénio Pereira, o modelo cooperativo permite às pessoas organizarem-se coletivamente, reunir recursos, reforçar poder de negociação, criar emprego e melhorar o acesso ao financiamento e aos mercados. Salientou que, atualmente, existem em Timor-Leste mais de 270 cooperativas, que operam em diferentes setores.

Embora considere este número relativamente reduzido quando comparado com alguns parceiros regionais, destacou os impactos já registados ao nível das comunidades, nomeadamente no apoio a agricultores, pequenos produtores, mulheres, jovens e empresários locais.

“As cooperativas contribuem para a inclusão financeira, a produção local, as oportunidades de emprego e a resiliência das comunidades. Para nós, este é o verdadeiro valor do movimento cooperativo”.

O responsável recordou que o movimento cooperativo regional representa 347.599 cooperativas ativas, 66,6 milhões de membros individuais e cerca de 11 milhões de empregos diretos, números que demonstram a relevância das cooperativas como atores económicos e sociais.

O governante sublinhou que, em Timor-Leste, as cooperativas devem ser vistas não apenas como instituições económicas, mas também como instrumentos de solidariedade, participação, inclusão e desenvolvimento nacional.

Neste âmbito, recordou que o Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011–2030 reconhece o desenvolvimento cooperativo como mecanismo para apoiar o crescimento do setor privado, as atividades económicas produtivas e os meios de subsistência das comunidades rurais.

Contudo, reconheceu que ainda são necessários esforços adicionais para elevar o movimento cooperativo ao nível considerado adequado no contexto da agenda económica regional.

Segundo Arsénio Pereira, apesar de as cooperativas serem frequentemente abordadas em seminários, workshops e conferências, nem sempre recebem a mesma atenção política, investimento e apoio institucional proporcionais à sua contribuição para a sociedade e a economia.

ACO destaca participação de Timor-Leste

O Presidente da Organização Cooperativa da ASEAN (ACO), Abdul Fattah Abdullah, agradeceu ao Governo pela organização da conferência e pelo acolhimento das delegações dos países da ASEAN, incluindo representantes do movimento cooperativo da Malásia.

Abdul Fattah Abdullah considerou o evento um momento relevante para assinalar a participação de Timor-Leste como novo membro da organização regional e para reforçar a cooperação regional no setor cooperativo.

Segundo o responsável, o desenvolvimento do movimento cooperativo timorense demonstra uma crescente compreensão dos princípios cooperativos, assentes na organização coletiva das pessoas para melhorar as condições de vida das comunidades.

Abdul Fattah Abdullah salientou que, embora o debate sobre a economia global privilegie frequentemente grandes empresas e mercados financeiros, as cooperativas desempenham um papel essencial na vida das comunidades, apoiando famílias, pequenos agricultores e comunidades rurais.

Defendeu, por isso, que o movimento cooperativo deve constituir uma componente central das políticas de desenvolvimento económico, colocando as pessoas no centro das decisões.

Neste contexto, considerou que a entrada de Timor-Leste na ASEAN abre novas oportunidades para reforçar a cooperação regional, permitindo ao movimento cooperativo contribuir diretamente para gerar benefícios económicos para comunidades, agricultores, famílias e pequenos empresários.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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