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População reclama falta de diálogo do Governo sobre hectares destinados ao projeto Downstream

Floriberto Marçal, representante dos proprietários dos terrenos em Natarbora. Foto: Afonso do Rosário

MANATUTO, 1 de outubro de 2026 (TATOLI) — Representantes da comunidade de Natarbora, posto administrativo de Barique, Manatuto, apelaram ao Governo para que promova maior diálogo e esclarecimento sobre a quantidade de terras que poderá ser utilizada no âmbito do projeto Natarbora Downstream.

A preocupação foi manifestada hoje durante o lançamento da investigação geotécnica do projeto, realizado em Natarbora, perante representantes do Ministério do Petróleo e Recursos Minerais (MPRM), autoridades locais e membros da comunidade.

Comunidade de Natarbora, posto administrativo de Barique, Manatuto. Foto: Afonso do Rosário

Segundo um dos representantes comunitários, os proprietários dos terrenos abrangidos pela área prevista para o projeto ainda não foram diretamente contactados pelo Governo para discutir a dimensão das terras e o processo de indemnização.

“Sabemos que serão ocupados três mil hectares, mas, até agora, ainda não fomos contactados por ninguém para dialogar”, disse Floriberto Marçal, representante dos proprietários dos terrenos.

Floriberto Marçal explicou que os terrenos pertencem à comunidade Balaran, um grupo de famílias predominante em Barique, salientado que os habitantes não se opõem ao projeto, desde que haja esclarecimento.

“O projeto é bom para todos nós, mas tem de seguir um determinado caminho. Pelo menos, temos de ter consideração uns pelos outros”, referiu.

Líder comunitário pede definição da área

Por sua vez, o Chefe do suco de Uma Boco, Feliciano Baptista, manifestou preocupação perante a existência de informações contraditórias sobre a dimensão da área que será efetivamente utilizada.

Segundo o líder local, inicialmente circularam informações de que seriam necessários três mil hectares, enquanto, mais recentemente, representantes da Timor GAP terão indicado uma área de aproximadamente 400 a 500 hectares.

“Queremos que o Governo esteja preparado para identificar exatamente quantos hectares serão utilizados para o projeto: se serão 400, 500 ou três mil hectares”, referiu.

O líder comunitário defendeu que o Governo deve realizar uma identificação clara das áreas necessárias antes de avançar para qualquer utilização efetiva das terras.

Feliciano Baptista pediu igualmente que sejam identificadas as plantações e outros bens das comunidades nas áreas que eventualmente venham a ser abrangidas.

MPRM reconhece necessidade de diálogo

Questionado sobre as preocupações, o Coordenador-Geral da Unidade do Projeto Natarbora Downstream do MPRM, Krispin Fernandes, reconheceu que o processo ainda se encontra numa fase inicial.

O Coordenador-Geral da Unidade do Projeto Natarbora Downstream do MPRM, Krispin Fernandes. Foto/Afonso do Rosário

“Esta investigação geotécnica é apenas o início do processo. Daqui para a frente vamos dialogar com eles”, referiu.

O responsável explicou que o MPRM pretende dialogar com os lia-na’in e recolher informações sobre os costumes e as tradições locais para que esses elementos sejam considerados no desenvolvimento do projeto.

Segundo o dirigente, o Governo indicou inicialmente uma área global de entre dois mil e três mil hectares, mas a definição final dependerá dos estudos técnicos e da otimização das áreas necessárias para cada instalação.

Segundo Krispin Fernandes, para a futura instalação de Gás Natural Liquefeito, o MPRM está a trabalhar com a empresa australiana Woodside numa estimativa de aproximadamente 500 hectares, enquanto as áreas necessárias para instalações petroquímicas, refinaria e outras infraestruturas continuam em avaliação.

O projeto Natarbora Downstream integra o conjunto de infraestruturas de processamento, transporte e exportação de gás e petróleo previsto para Natarbora, no âmbito do projeto Tasi Mane.

Notícia relevante: Natarbora recebe primeira campanha de estudos do solo para futuras infraestruturas energéticas

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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