MNEC: Abstenção na votação sobre Mianmar com base na política externa do país

DÍLI, 24 de junho de 2021 (TATOLI) – A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste (MNEC), Adaljiza Magno, justificou a abstenção na votação da Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o golpe militar em Mianmar com base na política externa do país.
“Timor-Leste absteve-se na resolução da ONU sobre Mianmar, como o tem feito desde 2010. A votação em Nova Iorque mostrou a consistência da política externa do Estado timorense”, disse Adaljiza Magno, no Palácio do Governo, em Díli.
A ex-diplomata informou também que, caso o Governo e Estado timorenses pretendam alterar o voto de abstenção, torna-se necessária a contribuição de todos os órgãos de soberania para revisão da consistência da política externa.
“Timor-Leste sempre manteve a mesma posição sobre a política de “uma China única”, a autodeterminação da Palestina e do Sahara Ocidental, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e o conflito de Mianmar”, explicou.
Já o Primeiro-Ministro timorense, Taur Matan Ruak, disse que a abstenção na votação sobre o golpe militar em Mianmar constitui uma lição para o futuro.
“O nosso voto é facto consumado, mas não substitui os valores e os princípios que Timor-Leste abraça como um país democrático, respeitador dos direitos humanos, da reconciliação e da solução pacífica para um problema sem recorrer à violência. Timor-Leste defende estes valores”, referiu.
Recorde-se que o ex-Prémio Nobel da Paz de 1996, José Ramos Horta, lamentou a posição de Timor-Leste, a abstenção sobre a resolução.
Na aprovação final da resolução da ONU sobre o conflito em Mianmar, 119 países votaram a favor, um contra (Bielorrússia) e registaram-se 36 abstenções, incluindo a de Timor-Leste.
Notícia relevante: Abstenção na votação sobre golpe militar em Mianmar constitui uma lição futura
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Maria Auxiliadora

