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Países em desenvolvimento precisam de 305 mil milhões de dólares anuais para enfrentar alterações climáticas

imagem:Pixabay

DÍLI, 5 de novembro de 2026 (TATOLI) – Os países em desenvolvimento necessitarão de cerca de 305 mil milhões de dólares americanos por ano até 2035 para reforçar a sua resiliência às alterações climáticas, mas o financiamento internacional disponível continua muito aquém das necessidades.

A conclusão consta do Relatório sobre a Lacuna de Adaptação de 2026, divulgado esta quarta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), que alerta para a insuficiente preparação dos países perante o agravamento dos impactos das alterações climáticas e a previsão de que o aquecimento global ultrapasse o limite de 1,5 graus Celsius.

Segundo o documento, mesmo que o financiamento público internacional destinado à adaptação climática triplique, apenas entre 20% e 29% das necessidades estimadas estarão cobertas.

A Diretora-Executiva do PNUA, Inger Andersen, alertou que o mundo ainda não está preparado para enfrentar as condições meteorológicas atuais, muito menos os impactos adicionais decorrentes da ultrapassagem do limiar de 1,5 graus Celsius.

Financiamento continua insuficiente

O relatório revela que, em 2024, os fluxos internacionais de financiamento público destinados para a adaptação climática se situaram entre 28,2 e 31,7 mil milhões de dólares, representando um aumento de apenas mil milhões face ao ano anterior.

O Programa considera que o crescimento do financiamento permanece estagnado, apesar do aumento das necessidades dos países em desenvolvimento.

Além disso, a estimativa de 305 mil milhões anuais não contempla as necessidades do setor privado, pelo que o montante necessário poderá mesmo duplicar.

O documento foi publicado antes da 31.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31), que terá início na próxima semana, na Anatólia, na Turquia.

Triplicar o apoio financeiro até 2035

O compromisso de triplicar o financiamento anual para a adaptação às alterações climáticas foi assumido na COP30 realizada no Brasil, no ano passado, e integrado no documento Mutirão Global.

A iniciativa, promovida pela presidência brasileira da conferência, pretende mobilizar Governos, sociedade civil, empresas e cidadãos para intensificar a resposta global às alterações climáticas.

De acordo com o PNUA, a concretização deste compromisso permitirá disponibilizar entre 85 e 120 mil milhões anuais até 2035. Contudo, mesmo com este aumento, o financiamento continuará a cobrir apenas entre 20% e 29% das necessidades estimadas, tendo em conta os efeitos da inflação.

Reforço institucional é fundamental

O relatório salienta ainda que os países continuam a poder cumprir o compromisso de duplicar o financiamento destinado à adaptação climática, tomando como referência os níveis de 2019, para atingir 40 mil milhões até 2025, conforme estabelecido no Pacto Climático de Glasgow, em 2021.

O PNUA sublinha, porém, que o financiamento, por si só, não será suficiente para enfrentar os desafios climáticos. É igualmente necessário reforçar as instituições e acelerar a implementação de medidas de adaptação que protejam as comunidades mais vulneráveis, aumentem a resiliência e permitam responder às crescentes perdas e danos provocados pelas alterações climáticas.

Neste contexto, Inger Andersen defende que os países devem aproveitar a COP31 e outros fóruns internacionais para intensificar os esforços e concretizar os objetivos do Mutirão Global, nomeadamente o de triplicar os recursos financeiros destinados à adaptação às alterações climáticas até 2035.

Equipa da Tatoli

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