FAO alerta para desigualdades na cadeia global do café e pede mais justiça para produtores

DÍLI, 1 de outubro de 2026 (TATOLI) – A Organização das Nações Unidas assinalou hoje o Dia Internacional do Café, destacando a necessidade de tornar mais justa e equilibrada a cadeia de valor de um dos produtos agrícolas mais comercializados no mundo.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), consumido diariamente por milhares de milhões de pessoas, o café constitui também uma importante fonte de rendimento para milhões de pequenos agricultores, sobretudo nos países em desenvolvimento. No entanto, os benefícios e os riscos associados à produção e à comercialização do produto continuam a ser distribuídos de forma desigual.
Pequenos agricultores asseguram maior parte da produção
Cada chávena de café resulta do trabalho, do conhecimento e da experiência acumulada ao longo de gerações pelas comunidades produtoras, desde os campos e florestas até aos mercados internacionais.
Dados da FAO indicam que entre 20 e 25 milhões de famílias dependem da produção de café, sendo responsáveis por cerca de 80% da produção mundial.
O Brasil, o Vietname e a Colômbia estão entre os principais produtores, representando, em conjunto, cerca de 60% da produção global. O Brasil destaca-se como o maior produtor, com aproximadamente 35% do total mundial.
Instabilidade deixa produtores mais vulneráveis
A FAO salientou que as exportações de café constituem uma fonte essencial de receitas para os países de baixo rendimento, permitindo-lhes obter divisas e manter o acesso aos mercados internacionais.
Contudo, a instabilidade dos mercados, o aumento dos custos de produção e a distribuição desigual dos rendimentos ao longo da cadeia de valor colocam os pequenos produtores numa posição particularmente vulnerável.
Apesar de assumirem uma parte significativa dos riscos associados à produção, muitos agricultores recebem apenas uma parcela limitada do valor gerado pelo café ao longo da cadeia.
A situação é agravada pelo facto de grande parte do café ser exportada numa fase inicial da cadeia de valor. As atividades que geram maior valor acrescentado, como a torrefação, o processamento e a criação de marcas, são frequentemente realizadas fora dos países produtores.
FAO defende relações comerciais mais equilibradas
Para a FAO, uma cadeia de valor do café mais justa exige relações comerciais transparentes e equilibradas, condições de trabalho dignas, maior criação de valor nos países produtores e investimento inclusivo.
A organização considera que o acesso dos produtores a rendimentos adequados pode contribuir para melhorar as condições de vida das famílias, reforçar a segurança alimentar e aumentar a capacidade de resistência das comunidades rurais perante crises económicas e outros desafios.
Instituído a 1 de outubro de 2015, em Milão, o Dia Internacional do Café pretende chamar a atenção não apenas para o consumo da bebida, mas também para as pessoas e comunidades que estão na origem de cada chávena.
Equipa da Tatoli

