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Timor-Leste avança na formação para o ecoturismo sustentável

A JICA e o MTA promovem um seminário nacional de três dias dedicado ao desenvolvimento do ecoturismo de base comunitária. Foto:Afonso do Rosário

DÍLI, 29 de setembro de 2026 (TATOLI) – A Agência de Cooperação Internacional do Japão em Timor-Leste, em parceria com o Ministério do Turismo e Ambiente (MTA) e com o apoio das Embaixadas do Japão e da Tailândia, iniciou hoje um seminário nacional de três dias dedicado ao desenvolvimento do ecoturismo de base comunitária.

A iniciativa, que decorre até 1 de outubro, em Díli, visa reforçar as capacidades nacionais e promover práticas de turismo sustentável com a participação ativa das comunidades locais.

O evento reúne representantes de instituições públicas e outros intervenientes ligados ao setor do turismo e conta com a presença de dois especialistas tailandeses, que partilham experiências e conhecimentos sobre o desenvolvimento do turismo comunitário e a utilização sustentável dos recursos naturais e culturais.

A iniciativa pretende promover o intercâmbio de experiências e identificar abordagens adaptáveis ao contexto de Timor-Leste, com particular atenção à participação das comunidades locais, à proteção do ambiente e do património cultural e à criação de oportunidades económicas sustentáveis.

O seminário procura também reforçar os conhecimentos dos participantes sobre o ecoturismo comunitário, promovendo uma abordagem que associe a conservação dos recursos naturais e culturais à criação de benefícios económicos para as comunidades.

Intervindo no evento, o Embaixador do Japão em Timor-Leste, Yasushi Yamamoto, afirmou que o país possui um elevado potencial para o desenvolvimento do ecoturismo, tendo em conta os recursos naturais, a biodiversidade e o património cultural.

Acrescentou que o ecoturismo de base comunitária constitui uma abordagem que permite envolver as comunidades locais e, simultaneamente, proteger o ambiente e o património cultural para as futuras gerações.

Segundo Yasushi Yamamoto, o desenvolvimento do ecoturismo pode igualmente contribuir para a diversificação da economia nacional, através da criação de oportunidades de negócio e de fontes de rendimento para as comunidades.

Neste contexto, destacou a experiência da Tailândia no desenvolvimento do turismo comunitário e na aplicação de práticas de turismo sustentável, considerando que a partilha dessas experiências poderá ser útil para Timor-Leste.

“Aprender diretamente com os modelos estabelecidos e com as experiências práticas da Tailândia será muito benéfico enquanto Timor-Leste define o seu próprio caminho neste setor”, salientou.

Infraestruturas e capacitação

O diplomata nipónico referiu que, apesar dos recursos naturais e do potencial turístico existentes, Timor-Leste ainda enfrenta vários desafios para transformar esse potencial em oportunidades concretas.

“Desde a minha chegada a Timor-Leste, em janeiro deste ano, viajei por muitos locais do país e observei que existem recursos naturais muito ricos. Todos sabem que o país tem um enorme potencial para o ecoturismo. Mas o potencial continua a ser apenas potencial se não houver esforços para o concretizar”, observou.

O Embaixador identificou as infraestruturas como um dos principais desafios, referindo-se às condições das estradas, à capacidade do aeroporto e à insuficiência de alojamento em algumas zonas turísticas.

Yasushi Yamamoto destacou, neste contexto, o apoio do Japão à renovação do aeroporto de Díli e à construção e melhoria de estradas nacionais, considerando estas intervenções essenciais para o desenvolvimento do turismo, incluindo o ecoturismo.

Acrescentou que o Japão continuará a apoiar Timor-Leste em diferentes áreas, incluindo infraestruturas e desenvolvimento das capacidades humanas.

“A capacitação e o desenvolvimento das capacidades humanas são questões fundamentais para o ecoturismo. O seminário de hoje é uma das iniciativas mais importantes para melhorar as capacidades humanas”, afirmou.

Tailândia partilha experiência

Por sua vez, o Embaixador da Tailândia em Timor-Leste, Atipat Rojanapaibulya, destacou a experiência do seu país no desenvolvimento do turismo, particularmente no turismo comunitário e na utilização sustentável dos recursos naturais e culturais.

O diplomata afirmou que o desenvolvimento do turismo comunitário exige mais do que a simples atração de visitantes, sendo necessário reforçar os conhecimentos, as capacidades de gestão, a participação das comunidades, os padrões de qualidade e a cooperação entre os diferentes intervenientes.

Atipat Rojanapaibulya destacou que Timor-Leste possui paisagens, recursos naturais e património cultural com potencial para o desenvolvimento do turismo, especialmente nesta nova etapa enquanto Estado-Membro da Associação das Nações do Sudeste Asiático.

Segundo o diplomata, o desafio consiste em transformar esses recursos em oportunidades sustentáveis capazes de gerar rendimento e emprego e melhorar as condições de vida das comunidades locais.

Governo reconhece limitações das infraestruturas

Por seu turno, o Diretor-Geral do MTA, Luís Doutel, afirmou que o Governo está atento aos problemas e desafios que o país enfrenta no desenvolvimento do setor turístico.

Entre os principais desafios, apontou a falta de infraestruturas e de conectividade em vários locais com potencial turístico, incluindo estradas, abastecimento de água e redes de telecomunicações.

Segundo o responsável, a resolução destes problemas exige uma atuação coordenada entre os ministérios relevantes e os parceiros internacionais.

Acrescentou que a coordenação com o Ministério das Obras Públicas será reforçada para se identificar e apresentar uma lista dos locais turísticos que ainda não dispõem de acesso rodoviário adequado.

O MTA deverá também articular-se com o Ministério dos Transportes e Comunicações para procurar soluções para os problemas relacionados com a conectividade das telecomunicações em alguns destinos turísticos.

Luís Doutel salientou, contudo, que a resolução destes problemas não poderá ser concretizada num período de apenas um ou dois anos, devendo avançar de forma gradual, em linha com as políticas e prioridades do Executivo.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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