Top

CNE alerta jornalistas para rigor e imparcialidade na cobertura eleitoral

Jornalistas e editores da Tatoli participam numa formação sobre a cobertura jornalística dos processos eleitorais.

DÍLI, 28 de setembro de 2026 (TATOLI) – A Comissão Nacional de Eleições (CNE) alertou os profissionais dos meios de comunicação social para a necessidade de assegurarem rigor, imparcialidade e independência na cobertura jornalística das eleições presidenciais e municipais previstas para 2027 e das eleições gerais marcadas para 2028.

O alerta foi transmitido pelo formador da CNE Evangelino Fátima durante uma sessão de formação realizada esta segunda-feira, no Salão de Formação da Tatoli, no Farol, em Díli, dirigida a jornalistas e editores sobre a cobertura jornalística dos processos eleitorais.

Jornalistas devem garantir tratamento imparcial

Evangelino Fátima salientou que os jornalistas devem evitar publicações que favoreçam determinado candidato, partido político ou coligação, bem como acusações sem fundamento, plágio, linguagem difamatória ou conteúdos que possam incentivar a violência ou a discriminação.

Sublinhou que os profissionais têm o dever de assegurar uma cobertura rigorosa e profissional, cumprir a legislação e os regulamentos eleitorais e respeitar os princípios de eleições universais, livres, diretas, secretas e periódicas, segundo o princípio de “uma pessoa, um voto”.

Acrescentou que os jornalistas devem ainda garantir uma cobertura imparcial e independente, baseada em factos e fontes claras, confirmando sempre que necessário as informações junto das fontes antes da publicação.

Acesso à informação eleitoral

No âmbito da cobertura eleitoral, Evangelino Fátima adiantou que os profissionais dos meios de comunicação social têm direito de aceder às fontes de dados eleitorais e de receber garantias das autoridades públicas relativamente às condições de segurança necessárias ao exercício da sua atividade.

Salientou que os jornalistas têm direito de acesso aos locais onde decorrem as diferentes fases do processo eleitoral, incluindo a apresentação de candidaturas, atividades de campanha, votação, contagem dos votos e apuramento dos resultados, para efeitos de cobertura noticiosa.

Redes sociais aumentam risco de desinformação

Outro dos temas abordados na ocasião foi o impacto das redes sociais e das plataformas digitais no processo eleitoral.

Evangelino Fátima recordou que plataformas como Facebook, X, Instagram, TikTok e YouTube constituem espaços importantes para a divulgação de informação e para o acompanhamento, pelos eleitores, dos programas e atividades de candidatos, partidos políticos e coligações.

Contudo, advertiu que estas plataformas também facilitam a disseminação rápida de informação falsa, ataques, insultos e propaganda enganosa.

Neste contexto, a CNE apelou aos profissionais dos meios de comunicação social para reforçarem a verificação das informações e recorrerem a fontes credíveis antes da publicação de conteúdos relacionados com as eleições.

Inteligência artificial coloca novos desafios

A Inteligência Artificial (IA) foi igualmente identificada como um dos novos desafios para a cobertura jornalística eleitoral.

O formador lembrou ainda que a IA permite criar, de forma rápida e a baixo custo, conteúdos falsos, incluindo áudio, vídeo e imagens manipuladas de forma realista. A tecnologia pode também ser utilizada para alterar digitalmente a aparência ou outras características de candidatos, podendo influenciar a perceção do público.

A apresentação alertou ainda para o risco de utilização da IA na criação e disseminação de informação falsa relacionada com sistemas e dados eleitorais, incluindo conteúdos sobre a contagem dos votos e os resultados eleitorais.  Evangelino Fátima sublinhou que a proliferação de conteúdos falsos pode contribuir para um ambiente de desconfiança entre os eleitores, candidatos e partidos políticos.

Comunicação social deve contribuir para educação dos eleitores

Foi também destacado o papel dos meios de comunicação social na educação cívica dos cidadãos durante o processo eleitoral, incluindo a disseminação de informações relacionados com candidatos, partidos políticos, coligações e procedimentos de votação, de forma a garantir que os cidadãos estejam devidamente informados.

Estas informações devem abranger o recenseamento eleitoral, as atividades administrativas, o número de eleitores, as listas de estações e centros de votação, a preparação técnica das operações eleitorais, o calendário eleitoral, a apresentação de candidaturas, a campanha eleitoral, a votação, a contagem e o apuramento dos resultados, bem como reclamações, queixas, protestos e respetiva resolução.

A CNE considera ainda que os meios de comunicação social desempenham um papel de intermediário entre candidatos ou partidos políticos e os eleitores, contribuindo para a formação da opinião pública e para o acompanhamento do processo eleitoral democrático.

A formação concluiu que uma cobertura eleitoral baseada no rigor, na imparcialidade, na independência e na verificação das informações é essencial para garantir o acesso dos cidadãos a informação credível durante o processo eleitoral.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

Publisidade

Leave a Reply

Latest Post

error: Content is protected !!