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Formação reforça capacidade nacional para mapear acesso a cuidados obstétricos de emergência

O MS e a UNFPA organizam uma formação técnica sobre preparação de dados geoespaciais e utilização do programa AccessMod, destinada à elaboração do Plano de Otimização da Rede de Cuidados Obstétricos e Neonatais de Emergência. Foto:UNFPA

DÍLI, 28 de setembro de 2026 (TATOLI) – Está a decorrer, até 2 de outubro, em Díli, uma formação técnica sobre preparação de dados geoespaciais e utilização do programa AccessMod, destinada à elaboração do Plano de Otimização da Rede de Cuidados Obstétricos e Neonatais de Emergência.

A iniciativa foi promovida pelo Ministério da Saúde (MS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e reúne especialistas técnicos de vários departamentos governamentais e ministérios, incluindo o Instituto Nacional de Estatística (INE-TL), bem como parceiros de desenvolvimento, entre os quais a Organização juvenil Geographic Information System Group (G-SIG).

Conforme fonte da UNFPA, esta formação técnica constitui a primeira etapa dos preparativos para o seminário de alto nível sobre a otimização da rede de cuidados obstétricos e neonatais de emergência, que terá lugar de 6 a 8 de outubro.

O seminário reunirá representantes das instituições nacionais e municipais, responsáveis pela tomada de decisões e dirigentes dos centros de cuidados obstétricos e neonatais de emergência de todo o país. Os participantes irão analisar e validar diferentes cenários de deslocação de pacientes, de modo a identificar as necessidades atuais, produzir dados que fundamentem a tomada de decisões e contribuir para a redução das mortes maternas evitáveis.

Em Timor-Leste, as zonas montanhosas, a dispersão da população e as más condições das estradas dificultam o acesso aos cuidados de saúde. Os atrasos na transferência de grávidas e recém-nascidos em emergência para unidades de saúde equipadas podem provocar mortes evitáveis.

Para ultrapassar estes obstáculos geográficos, a formação visa dotar os técnicos do MS, nomeadamente dos departamentos de Saúde Materno-Infantil, do Sistema de Informação de Gestão da Saúde e de Monitorização e Avaliação, bem como do INE-TL e da G-SIG, de competências especializadas em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e na utilização do programa de análise geoespacial do AccessMod.

A formação visa permitir a utilização de ferramentas de análise geoespacial para calcular os tempos de deslocação e avaliar o acesso aos serviços essenciais de saúde. Com base em projeções populacionais, os participantes irão calcular a percentagem da população que consegue chegar a uma unidade de saúde com serviços de cuidados obstétricos e neonatais de emergência em funcionamento, dentro do tempo necessário para reduzir os riscos de mortalidade materna durante a transferência.

A iniciativa permitirá igualmente avaliar o acesso e o funcionamento das unidades de saúde, identificar lacunas nos serviços e produzir dados geoespaciais para apoiar as estratégias nacionais, incluindo o Plano de Ação do Governo para os Cuidados Obstétricos e Neonatais de Emergência, o Plano Estratégico do Setor da Saúde 2020–2030 e a Estratégia Nacional de Saúde Reprodutiva, Materna, Neonatal, Infantil e do Adolescente 2026–2030.

A iniciativa é financiada pelo Departamento dos Negócios Estrangeiros e Comércio da Austrália e pelo Governo, com o apoio do Japão, da Tailândia e de Portugal, parceiros fundamentais na criação dos centros nacionais de cuidados obstétricos e neonatais de emergência.

“A UNFPA está empenhada em promover a utilização de dados demográficos para fundamentar a elaboração de políticas baseadas em evidências no setor da saúde», afirmou a Representante da UNFPA em Timor-Leste, Navchaa Suren, num comunicado a que a Tatoli teve acesso.

A dirigente acrescentou que a formação permitirá avaliar o acesso e o funcionamento dos serviços de cuidados obstétricos e neonatais de emergência, bem como calcular os tempos de deslocação, contribuindo para evitar mortes de mulheres e recém-nascidos por causas preveníveis durante a gravidez e o parto.

Por sua vez, Edigardo Alves, chefe da Secção de Políticas, em representação do Diretor-Geral do Planeamento de Políticas e Cooperação para o Desenvolvimento da Saúde, Florindo Pinto Gonzaga, salientou que os resultados de um levantamento recente demonstram progressos significativos, com a percentagem de partos assistidos por profissionais de saúde qualificados a atingir 78%.

“No entanto, numa emergência, o tempo pode fazer a diferença entre a vida e a morte. A precisão e o rigor dos modelos de análise geoespacial desenvolvidos esta semana irão contribuir diretamente para fundamentar os investimentos estratégicos, quando os responsáveis nacionais e os diretores de saúde se reunirem na próxima semana”, afirmou.

Equipa da Tatoli

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