ONU aprova resolução para corrigir distorções nos mapas mundiais

DÍLI, 7 de setembro de 2026 (TATOLI) – A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, esta sexta-feira, com 164 votos favoráveis, uma resolução destinada a promover uma representação mais rigorosa do mundo nos mapas, corrigindo as distorções associadas à tradicional projeção de Mercator. Os Estados Unidos da América foram o único país a votar contra.
A resolução, intitulada Corrija o Mapa, pretende incentivar a utilização de projeções cartográficas que representem de forma mais proporcional as dimensões reais dos continentes e das diferentes regiões no mundo.
O texto recorda que a projeção de Mercator, concebida no século XVI para fins de navegação, continua a ser amplamente utilizada em materiais educativos, meios de comunicação, plataformas digitais e documentos oficiais.
No entanto, este modelo apresenta distorções que ampliam as massas terrestres situadas ao norte e ao sul da linha do Equador, fazendo com que regiões como a África, a América Latina e o Sul da Ásia pareçam proporcionalmente menores.
De acordo com o diploma, “esta representação perpetua uma visão desequilibrada do mundo”. Nesse contexto, o documento defende que “a correção das distorções cartográficas relativas às dimensões dos continentais constitui um ato de justiça cognitiva e reparação memorial”, contribuindo para reforçar a compreensão mútua entre os povos.
A União Africana já adotou a projeção “Terra Igual”, um modelo cartográfico que representa com mais precisão as dimensões relativas aos continentes, particularmente do continente africano.
A resolução aprovada pela Assembleia Geral da encoraja os Governos, as organizações internacionais e outras entidades a adotarem esta projeção, com o objetivo de promover uma representação mais fiel das áreas reais dos continentes.
Antes da votação, o Ministro das Relações Estrangeiras de Togo, Robert Dussey, cujo país liderou a iniciativa, afirmou que a aprovação da resolução transmite uma mensagem importante de que a Assembleia Geral acredita na “verdade científica”.
Robert Dussey acrescentou que a decisão reforça igualmente a equidade na representação e a dignidade dos povos. “Não se trata apenas de corrigir um mapa, mas também de corrigir perceções”.
Mapas moldam imaginário coletivo
A resolução salienta que os mapas constituem instrumentos fundamentais nos domínios educativo, científico e cultural, contribuindo para moldar “a perceção do mundo e o imaginário coletivo dos povos”.
Segundo o texto, as distorções cartográficas têm impactos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconómicos, refletindo “vieses históricos, cuja correção promoverá reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.
O documento recorda ainda que o Pacto para o Futuro, adotado pelos Estados-Membros da ONU em 2024, sublinha a necessidade de eliminar os vestígios de desigualdades históricas e estruturais e de erradicar todas as formas de discriminação.
Equipa da Tatoli

