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Universidade Hasanuddin atribui título de Doutor Honoris Causa a Xanana Gusmão

O PM, Xanana Gusmão, foi distinguido com o título académico de Doutor Honoris Causa pela UNHAS. Foto:GPM

DÍLI, 5 de setembro de 2026 (TATOLI) — A Universidade Hasanuddin (UNHAS), na Indonésia, atribuiu hoje o título académico de Doutor Honoris Causa ao Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão. A distinção reconhece a sua liderança e o seu contributo para a construção e desenvolvimento de Timor-Leste, desde o período de conflito até à consolidação do Estado, da democracia e da estabilidade.

A cerimónia decorreu no Baruga A.P. Pettarani, no campus da UNHAS, em Tamalanrea, Makassar, por iniciativa do Programa de Doutoramento em Administração Pública da Faculdade de Ciências Sociais e Ciências Políticas (FISIP).

Conforme fonte governamental, o Decano da FISIP da UNHAS e promotor da atribuição do título, Sukri, afirmou que a decisão não constitui uma distinção atribuída em função do cargo político de Xanana Gusmão, mas sim um reconhecimento académico dos valores e contributos universais demonstrados ao longo da sua trajetória.

O dirigente destacou quatro razões principais: Símbolo da luta pela independência, enquanto figura central da resistência timorense; Capacidade de transformar o conflito em reconciliação, promovendo perdão, respeito mútuo e relações de paz entre Timor‑Leste e a Indonésia; Transição de líder da resistência para estadista, contribuindo para a construção das instituições do Estado, a consolidação democrática e a defesa da soberania através da diplomacia e do direito internacional; e Valores de paz e humanidade, considerados pela UNHAS essenciais à sua missão de promoção da ciência, da justiça e da civilização.

O académico salientou ainda que a experiência do Chefe do Governo timorense na liderança pública e na administração governamental apresenta uma relação direta com a área de Administração Pública, constituindo uma das bases académicas para a atribuição do título.

UNHAS destaca liderança e contribuição de Xanana Gusmão

A UNHAS recorda que Xanana Gusmão é uma das figuras centrais da história da independência de Timor-Leste. Após o referendo de 1999, foi eleito primeiro Presidente de Timor-Leste, em 2002, exerceu o cargo de Primeiro-Ministro entre 2007 e 2015 e voltou a liderar o Governo em 2023.

Para o Reitor da UNHAS, Jamaluddin Jompa, a distinção reconhece a liderança pós‑conflito, a diplomacia de reconciliação, a construção da paz, a consolidação institucional, a cooperação regional e o diálogo académico promovidos pelo líder timorense. “A maior coragem é construir a paz; a vitória mais significativa é aquela que permite às sociedades viverem juntas”, afirmou.

O Reitor expressou ainda elevado apreço pela firmeza, coragem e sabedoria de Xanana Gusmão, declarando que o líder timorense passa a integrar a comunidade académica da UNHAS, “uma comunidade que valoriza a verdade, a humanidade, o diálogo e a paz”.

A universidade manifestou a expetativa de que o título contribua para ampliar o legado de liderança de Xanana Gusmão em Timor‑Leste, na Indonésia, na ASEAN e no plano internacional, reforçando também as relações de amizade entre os dois países.

Xanana Gusmão destaca soberania, reconciliação e cooperação marítima

No seu discurso, Xanana Gusmão agradeceu a distinção e afirmou ser um “grande privilégio” receber o título de uma universidade com papel relevante no desenvolvimento da Indonésia e reconhecida pelo seu conhecimento sobre o mar.

O Chefe do Governo destacou: o papel das universidades na formação de pensamento crítico e capacidade de decisão; os laços geográficos entre Timor‑Leste e Indonésia, que partilham a ilha de Timor e o mesmo espaço marítimo; e a importância da cooperação, da delimitação das fronteiras marítimas e da gestão pacífica dos recursos do mar.

Recordou que a luta pela autodeterminação assentou no direito internacional, na diplomacia e na solidariedade internacional, e que, após a independência, Timor‑Leste escolheu o caminho da reconciliação com a Indonésia.

Sobre a soberania marítima, referiu as negociações com a Austrália que conduziram à delimitação das fronteiras e afirmou que Timor‑Leste continua a negociar com a Indonésia com base na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Xanana Gusmão defendeu que a soberania exige não apenas símbolos nacionais, mas também força política, economia sólida, segurança alimentar, emprego e oportunidades para os jovens, sublinhando a necessidade de reforçar a resiliência económica do país.

Alertou para o contexto internacional marcado por conflitos, tensões geopolíticas e desigualdades, defendendo o reforço da cooperação multilateral e do respeito pelo direito internacional, sobretudo em benefício dos países pequenos e vulneráveis.

Timor-Leste e ASEAN

O PM destacou ainda a adesão de Timor‑Leste à ASEAN como concretização de uma aspiração nacional e recordou que o país assumirá a Presidência da organização em 2029, considerando a responsabilidade uma oportunidade para contribuir para a paz, unidade e cooperação regional.

Educação, conhecimento e pensamento crítico

No final, sublinhou a importância das universidades e do conhecimento para a soberania nacional, especialmente numa era marcada pelo desenvolvimento da Inteligência Artificial. Defendeu que os cidadãos devem desenvolver pensamento crítico e discernimento para avaliar informação e tomar decisões de forma autónoma.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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