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OMM: El Niño extremo ameaça agravar secas, inundações e ondas de calor até 2027

El Niño. Foto:Google

DÍLI, 7 de setembro de 2026 (TATOLI) — O fenómeno El Niño deverá intensificar-se nos próximos meses e poderá prolongar os riscos de secas, inundações e ondas de calor extremo até 2027, alertou a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Perante este cenário, a organização apela ao reforço dos sistemas de alerta precoce e das medidas de preparação dos países.

Segundo a OMM, a probabilidade de o fenómeno persistir até fevereiro de 2027 é excecionalmente elevada. O El Niño, associado a um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, deverá atingir o seu pico de intensidade no final deste ano, com impactos significativos nos padrões globais de temperatura e precipitação.

As medições realizadas no Pacífico mostram um aquecimento invulgar tanto à superfície como nas camadas mais profundas. A OMM registou temperaturas médias da superfície do mar cerca de 1,5 graus Celsius acima do normal entre maio e junho, valor que aumentou para 2,0 graus em julho. Em agosto, as anomalias semanais situam-se entre 2,2 e 2,6 graus Celsius acima da média.

Nas camadas abaixo da superfície, a acumulação de calor é ainda mais significativa. Em algumas zonas do Pacífico, as temperaturas chegaram a ultrapassar em mais de 8 graus Celsius os valores considerados normais.

Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para agravamento dos fenómenos extremos

As previsões apontam para temperaturas acima da média em todos os continentes, acompanhadas por alterações nos padrões de precipitação.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou que o aumento da temperatura da superfície do mar está a agravar os riscos associados aos fenómenos meteorológicos extremos. Para o dirigente, a evidência científica é clara: o planeta está a entrar em “águas desconhecidas”, que continuam a aquecer.

Perante a dimensão prevista do fenómeno, o organismo iniciou uma ampla mobilização dos serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais, com o objetivo de reforçar a preparação, a previsão e a emissão de alertas precoces.

Por sua vez, a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo, sublinhou que vários países já enfrentam secas e inundações, mas defendeu que as medidas de resposta devem estar à altura da dimensão excecional dos riscos previstos.

Impactos podem variar entre regiões

Apesar da intensidade do El Niño ser um indicador importante, a OMM salienta que não é, por si só, suficiente para determinar os impactos num país específico. Outros fatores climáticos regionais podem modificar significativamente os efeitos esperados.

Entre eles está o aquecimento previsto da bacia do Atlântico, com temperaturas superiores à média tanto no Atlântico Tropical Norte como no Atlântico Sul. A interação entre estes diferentes padrões oceânicos poderá reforçar, atenuar ou alterar os efeitos habitualmente associados ao El Niño em várias regiões do mundo.

Perante este cenário, a OMM considera essencial uma coordenação estreita entre Governos, serviços meteorológicos e hidrológicos e organizações humanitárias, de forma a antecipar os riscos e reforçar as medidas de prevenção e resposta a possíveis desastres.

Notícia relevante: OMM: El Niño poderá agravar fenómenos climáticos extremos entre agosto e outubro

Equipa da Tatoli

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