OMS valida eliminação do tracoma como problema de saúde em Timor-Leste

DÍLI, 4 de setembro de 2026 (TATOLI) – A Organização Mundial de Saúde (OMS) validou, esta quinta-feira, a eliminação do tracoma enquanto problema de saúde pública em Timor-Leste, tornando o país o quarto da Região do Sudeste Asiático e o 33.º a nível mundial a alcançar este marco.
Timor-Leste era última nação da Região do Sudeste Asiático da OMS onde se suspeitava da existência de tracoma endémico. Com esta validação, a doença deixou de constituir um problema de saúde pública em toda a região.
O tracoma, causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, é a principal causa infeciosa de cegueira a nível mundial. A doença transmite-se através do contacto com secreções oculares e nasais de pessoas infetadas e infeções repetidas podem provocar cicatrizes na parte interna das pálpebras, fazendo com que as pestanas cresçam para dentro e podendo, em última instância, causar cegueira.
Estudos não detetaram casos de transmissão
O Diretor-Geral da OMS, Teodros Adhanom Ghebreyesus, felicitou Timor-Leste pela conquista, sublinhando a importância da combinação entre planeamento, investigação no terreno e sistemas modernos de vigilância.
“O país demonstrou como a ciência e os sistemas de saúde sólidos podem proteger as pessoas da cegueira evitável”, disse o dirigente, num comunicado a que a Tatoli teve acesso.
De acordo com o responsável, a eliminação do tracoma na Região do Sudeste Asiático representa igualmente “um passo significativo” para alcançar o objetivo global de eliminar a doença em todo o mundo até 2030.
A validação da OMS resulta de “um rigoroso processo”, desenvolvido ao longo de vários anos, destinado a determinar se o tracoma constitui um problema de saúde pública no país e a documentar a capacidade do sistema de saúde para detetar, investigar e tratar eventuais casos no futuro.
Entre 2015 e 2017, foram efetuadas várias investigações, incluindo exames a crianças em Ataúro, rastreios a doentes que recorreram a serviços de oftalmológicas em todo o país e buscas porta a porta. Segundo a OMS, não foi detetado qualquer caso de tracoma durante essas investigações.
Timor-Leste reuniu posteriormente novas evidências através de vários estudos. Num inquérito promovido no ano passado, foram analisadas 4.949 amostras de crianças entre um e cinco anos, abrangendo todo o território. Os testes não encontraram evidências de transmissão da doença a um nível que exigisse uma intervenção específica de saúde pública.
Por sua vez, o responsável pelo Escritório Regional da OMS para o Sudeste Asiático em exercício, Nilesh Buddha, considerou que a conquista demonstra a importância da liderança nacional, da utilização de evidências de qualidade e da integração dos serviços de saúde.
O dirigente destacou ainda a importância da integração da vigilância de diferentes doenças e permitiu que os recursos disponíveis possam produzir maiores benefícios para as comunidades.
País mantém vigilância e serviços oftalmológicos
Apesar da validação, Timor-Leste continuará a manter a capacidade para identificar e tratar casos individuais de triquíase e outras doenças oculares através do sistema nacional de cuidados oftalmológicos.
Os serviços especializados, incluindo cirurgia para a triquíase, estão disponíveis no Centro Nacional de Oftalmologia do Hospital Nacional Guido Valadares e através de serviços de extensão nos municípios.
A vigilância do tracoma será igualmente integrada nas plataformas nacionais já existentes de vigilância de doenças e de doenças tropicais negligenciadas, enquanto os programas nacionais continuarão a reforçar o acesso à água segura, ao saneamento e à higiene.
Na mesma linha, a Ministra da Saúde, Élia Amaral, afirmou que a validação da eliminação do tracoma constitui “motivo de enorme orgulho nacional” e resulta do compromisso das autoridades, dos profissionais de saúde, das comunidades e dos parceiros.
Élia Amaral acrescentou que este resultado reforça a determinação do país em avançar para a cobertura universal de saúde e em construir “um sistema de saúde equitativo e resiliente, que alcance e proteja todas as pessoas, onde quer que vivam”.
Por seu turno, o Representante da OMS em Timor-Leste, Arvind Mathur, considerou que a validação é “uma conquista notável” e um testemunho do compromisso do país no combate às doenças evitáveis.
Timor-Leste junta-se, assim, a outros 32 países cuja eliminação do tracoma enquanto problema de saúde pública foi validada pela OMS.
As doenças tropicais negligenciadas, como o tracoma, afetam sobretudo comunidades pobres e estão associadas a graves consequências sanitárias, sociais e económicas. Até ao início de setembro, 64 países eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada, incluindo oito países da Região do Sudeste Asiático da OMS.
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Equipa da Tatoli

