Top

UNICEF: Uma em cada cinco crianças enfrenta exploração ou abuso sexual online

Foto:Tatoli

DÍLI, 4 de setembro de 2026 (TATOLI) — Uma em cada cinco crianças e jovens foi vítima, no último ano, de pelo menos uma forma de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia, revela um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O estudo reúne dados de pesquisas conduzidas entre 2020 e 2025 em 21 países e foi realizado em parceria com a Organização Internacional de Polícia Criminal e a ECPAT International, uma rede global de organizações da sociedade civil que se dedica exclusivamente ao combate à exploração e ao abuso sexual de crianças.

As estimativas apontam para mais de 15 milhões de crianças expostas a conteúdos sexuais indesejados. Outras nove milhões terão sido pressionadas a participar em conversas de natureza sexual ou a partilhar imagens íntimas, enquanto até quatro milhões tiveram imagens íntimas divulgadas sem consentimento.

Redes sociais concentram maioria dos casos

Segundo o relatório, os abusos ocorrem frequentemente nos mesmos espaços digitais utilizados pelas crianças e pelos jovens para jogar, comunicar e manter contacto com amigos. Cerca de 60% dos casos registados ocorreram em redes sociais e aplicações de mensagens populares, incluindo o Instagram e o TikTok. Os jogos online representaram 14% das ocorrências.

Em alguns país, a proporção é ainda mais elevada: em Montenegro, ultrapassa os 80%, enquanto na Colômbia representa mais de metade dos casos analisados.

O relatório revela ainda que, em mais de 57% das situações, o agressor era alguém que a vítima já conhecia pessoalmente. Nos casos em que o primeiro contacto ocorreu através de plataformas digitais, 38% dos agressores recorreram a funcionalidades próprias das redes, incluindo contas falsas e mensagens privadas.

A Diretora-Executiva da UNICEF, Catherine Russell, alerta que a exploração e o abuso sexual estão a ocorrer nos mesmos ambientes digitais onde crianças e jovens desenvolvem relações sociais e atividades de lazer.

Maioria das vítimas permanece em silêncio

As consequências dos abusos digitais podem ser graves. De acordo com a UNICEF, as vítimas apresentam quatro vezes mais probabilidades de manifestar pensamentos suicidas, comportamentos autodestrutivos ou automutilação, além de níveis elevados de ansiedade.

Apesar da dimensão do problema, mais de 40% das vítimas nunca contaram a ninguém o que lhes tinha acontecido. Entre os casos que chegaram a ser comunicados, apenas 1% foi denunciado às autoridades, nomeadamente à polícia ou aos serviços sociais. Na Arménia, por exemplo, mais de metade das vítimas de abuso não comunicou os casos.

A principal razão apontada pelas crianças para o silêncio foi não saberem a quem recorrer nem onde procurar ajuda.

UNICEF pede novas medidas contra crimes digitais

Face ao aparecimento de novas formas de abuso, incluindo a extorsão sexual e a produção de material íntimo através da Inteligência Artificial, a UNICEF defende reformas estruturais por parte dos Governos e das empresas de tecnologia. A agência recomenda a criação de regulamentação eficaz e de mecanismos de responsabilização jurídica capazes de responder às novas modalidades de crimes digitais.

Entre as medidas propostas está o reforço da proteção da privacidade das crianças e dos jovens nas plataformas digitais. Para além da esfera tecnológica, a UNICEF apela ao combate às normas sociais que contribuem para a normalização da sexualização das raparigas e para a estigmatização das sobreviventes de abuso sexual.

Equipa da Tatoli

Publisidade

Leave a Reply

Latest Post

error: Content is protected !!