Ramos-Horta homenageia Dom Martinho da Costa Lopes como “A Voz dos que Não Têm Voz”

DÍLI, 3 de setembro de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, homenageou hoje, em Manatuto, o Monsenhor Dom Martinho da Costa Lopes, destacando o seu papel na denúncia das violações dos direitos humanos durante a ocupação indonésia e na internacionalização da causa timorense.
Durante a cerimónia de atribuição do nome do prelado a uma ponte em Manatuto, Ramos-Horta recordou que o antigo Administrador Apostólico de Díli foi uma das figuras que levou ao mundo a voz do povo timorense, numa altura em que muitos preferiam ignorar o sofrimento vivido no território.
“Foi assim que verdadeiramente se tornou naquilo por que hoje o recordamos: ‘A Voz dos que Não Têm Voz’”, disse o Chefe de Estado, destacando que tinha trabalhado com Dom Martinho da Costa Lopes nos Estados Unidos da América e na Europa durante os anos da resistência.
O PR lembrou a determinação e a fé do prelado, mesmo depois de ter sido obrigado a abandonar Timor, referindo que Dom Martinho da Costa Lopes poderia ter optado por uma vida tranquila no exílio, mas decidiu continuar a denunciar a situação em Timor-Leste e a procurar apoio junto de Governos, parlamentares, jornalistas, organizações religiosas e entidades de defesa dos direitos humanos. “Continuou a dizer ao mundo: Timor-Leste está a sofrer”, sublinhou.
O Chefe de Estado recordou ainda que, como Administrador Apostólico de Díli, Monsenhor Dom Martinho visitou várias regiões do território e ouviu diretamente as populações, tornando-se, a partir de 1981, cada vez mais crítico em relação à situação humanitária e às violações cometidas durante a ocupação.
Em 1983, deixou o cargo e seguiu para Roma, onde se encontrou com o Papa João Paulo II e responsáveis da Santa Sé, tendo posteriormente viajado para Portugal.
A partir do exílio, prosseguiu a sua ação internacional em defesa da autodeterminação e dos direitos do povo timorense, apesar de, segundo Ramos-Horta, enfrentar frequentemente a indiferença da comunidade internacional e de setores que privilegiavam interesses estratégicos e políticos.
O PR destacou que a força de Dom Martinho da Costa Lopes não resultava do poder político ou militar, mas da sua “consciência, fé e convicção de que a dignidade humana não pode ser negociada”.
Ramos-Horta salientou igualmente que a independência do país resultou da convergência de diferentes setores da sociedade, incluindo a resistência armada, a rede clandestina, a frente diplomática, os jovens, as mulheres, os estudantes, as comunidades e a Igreja Católica.
A homenagem incluiu a atribuição do nome de Monsenhor Dom Martinho da Costa Lopes a uma ponte em Manatuto, localidade de onde era natural, tendo o PR considerado a escolha particularmente simbólica. “Uma ponte liga margens que estavam separadas. Liga pessoas, comunidades, regiões e caminhos”, afirmou.
Para o Chefe de Estado, durante os anos da ocupação, Dom Martinho da Costa Lopes desempenhou também o papel de uma “ponte” entre o povo e a Igreja Católica, entre a fé e a defesa da dignidade humana e entre a realidade vivida em Timor-Leste e a comunidade internacional. “Foi a ‘ponte’ através da qual aqueles que não tinham voz puderam falar”, declarou.
Ramos-Horta considerou, por isso, que a atribuição do nome de Monsenhor Dom Martinho da Costa Lopes à ponte em Manatuto constitui um reconhecimento da sua contribuição para a luta pela libertação nacional e um símbolo destinado a inspirar as novas gerações a construir pontes e a enfrentar os desafios do desenvolvimento do país.
Equipa da Tatoli

