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António Guterres alerta para impacto dos conflitos em principais rotas marítimas

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres. Foto da Tatoli/Francisco Sony

DÍLI, 25 de agosto de 2026 (TATOLI) — O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou para os efeitos dos ataques e das obstruções às principais rotas marítimas comerciais, que estão a comprometer o abastecimento global de energia e alimentos.

Segundo o dirigente, as interrupções no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, no contexto do conflito entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão, bem como as ameaças à navegação no Mar Negro, relacionadas com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, estão a afetar algumas das principais “artérias do comércio global”.

António Guterres apelou, esta segunda-feira, ao fim imediato dos ataques contra embarcações comerciais e ao restabelecimento da liberdade de navegação naqueles três corredores estratégicos, sublinhando que as atuais crises exercem uma forte pressão sobre o sistema alimentar mundial. No Médio Oriente, a paralisação parcial do tráfego marítimo está a restringir o transporte de energia, fertilizantes e outras mercadorias essenciais, enquanto no Mar Negro os ataques ameaçam rotas fundamentais para a exportação de petróleo, cereais e outros produtos agrícolas.

O Secretário-Geral afirmou que os “pontos de estrangulamento marítimo nunca devem tornar-se instrumentos de coerção” e defendeu que o abastecimento mundial de alimentos não pode ser tratado como um dano colateral dos conflitos armados.

As perturbações nas principais rotas comerciais já se refletiem na economia mundial, com preços mais elevados, aumento da insegurança alimentar e maiores dificuldades para as populações mais vulneráveis. No Estreito de Ormuz, o trânsito de embarcações encontra-se praticamente paralisado, enquanto o preço do petróleo permanece cerca de 33% acima dos níveis registados no início do conflito entre os EUA e o Irão. Os custos dos fertilizantes e de outros fatores de produção agrícola também estão a subir significativamente e as tarifas globais do transporte marítimo de contentores encontram-se 84% acima dos valores registados há um ano.

Em março, António Guterres criou uma Força-Tarefa destinada a desenvolver mecanismos práticos para responder às necessidades humanitárias no Estreito de Ormuz. A iniciativa, liderada pelo Diretor-Executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, Jorge Moreira da Silva, envolve a ONU Comércio e Desenvolvimento, a Organização Marítima Internacional e a Câmara de Comércio Internacional.

O objetivo é estabelecer um mecanismo temporário, inicialmente focado no transporte de fertilizantes e matérias-primas relacionadas, que poderá ser alargado a outros produtos essenciais. A proposta não prevê autorizar a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz nem interferir nas decisões soberanas dos países envolvidos, procurando antes reduzir riscos imediatos, promover um trânsito mais ordenado e previsível e contribuir para reconstruir a confiança necessária à diplomacia e à redução das tensões.

António Guterres apelou às partes envolvidas nos conflitos para que cooperem de forma séria na implementação do mecanismo, sublinhando que este poderá demonstrar que, mesmo em contexto de conflito, é possível reduzir riscos, proteger civis e assegurar a circulação de bens essenciais.

O dirigente frisou, contudo, que o mecanismo não substitui o pleno restabelecimento dos direitos e liberdades de navegação, nem as soluções políticas necessárias para pôr termo aos conflitos.

Notícia relevante: Trump diz que os EUA têm “controlo total” sobre Estreito de Ormuz

Equipa da Tatoli

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