Xanana Gusmão alerta para riscos da IA para democracia e soberania

DÍLI, 24 de agosto de 2026 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, alertou hoje para os riscos associados ao rápido desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), nomeadamente para a democracia, a confiança nas instituições públicas e a soberania dos Estados.
O lerta foi feito durante a abertura da Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento 2026, realizada no Centro de Convenções de Díli, que reúne laureados com o Prémio Nobel, vencedores do Prémio Turing, cientistas, investigadores, académicos e especialistas internacionais.
Xanana Gusmão reconheceu que a IA pode proporcionar novas oportunidades para países em desenvolvimento, como Timor-Leste, ao facilitar o acesso ao conhecimento e às competências especializadas.
Segundo o Chefe do Governo, a IA poderá apoiar profissionais de saúde no acesso à informação médica, ajudar os agricultores a combinar conhecimentos práticos com dados científicos sobre culturas, meteorologia e solos, e disponibilizar a pequenos empreendedores serviços que anteriormente exigiam a contratação de especialistas.
Contudo, advertiu que a mesma tecnologia que torna o conhecimento mais acessível também pode facilitar a produção de conteúdos falsos e enganosos.
O Chefe do Executivo alertou para a utilização da IA na criação de vozes, imagens e vídeos realistas de acontecimentos que nunca ocorreram, tornando mais convincentes burlas, fraudes e campanhas de desinformação política.
“O perigo não é apenas as pessoas acreditarem no que é falso. Se tudo pode ser fabricado, as pessoas também podem começar a duvidar do que é verdadeiro”, afirmou
Xanana Gusmão considerou que este fenómeno poderá afetar a democracia e a confiança da população nas instituições públicas, defendendo que Timor-Leste deve compreender os efeitos destas mudanças tecnológicas para estar preparado para os novos desafios.
O PM alertou igualmente para possíveis implicações da transformação tecnológica na soberania dos Estados, questionando o que poderá acontecer quando empresas se tornarem economicamente mais poderosas do que alguns países e controlarem tecnologias das quais Governos, empresas e comunidades dependem.
Segundo Xanana Gusmão, embora a IA possa disseminar conhecimento de forma ampla, o controlo da tecnologia está concentrado num número reduzido de empresas.
Neste contexto, defendeu que Timor-Leste deve desenvolver conhecimentos e capacidades próprias para compreender as novas tecnologias e decidir de forma consciente quais pretende adotar.
“Precisamos de compreender o que isto pode significar para a nossa democracia e para a confiança que as pessoas depositam nas instituições públicas. Existe também um risco para a nossa soberania”, afirmou.
O PM salientou que o país já demonstrou capacidade para adotar rapidamente novas tecnologias, recordando a expansão dos telemóveis e das redes sociais, e considerou que a IA também fará parte da vida quotidiana da população.
Defendeu ainda o reforço da educação científica, tecnológica e técnica, bem como da capacidade das universidades e das instituições públicas para compreenderem as tecnologias que o país pretende adotar.
Para Xanana Gusmão, a capacidade de compreender a transformação científica e tecnológica constitui uma nova etapa do processo de desenvolvimento de Timor-Leste e da luta do país para determinar o seu próprio futuro.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

