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Ramos-Horta destaca amizade de Fidel Castro por Timor-Leste no centenário do líder cubano

O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta. Fonte: GPR

DÍLI, 11 agosto de 2026 (TATOLI) — O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, destacou hoje a contribuição de Fidel Castro para o país, classificando o antigo líder cubano como um “Grande Amigo de Timor-Leste” e defendendo o diálogo e a cooperação como alternativas ao isolamento e às sanções a Cuba.

A posição foi apresentada durante as celebrações do centenário do nascimento do líder cubano, realizadas no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, em Díli.

O Chefe de Estado recordou o encontro com Fidel Castro em Kuala Lumpur, Malásia, em 2003, juntamente com o então Presidente da República, Xanana Gusmão, numa altura em que Timor-Leste tinha acabado de restaurar a independência e enfrentava grandes necessidades, sobretudo nos setores da saúde e da formação de recursos humanos.

“Fidel compreendeu essa realidade e Cuba respondeu com atos concretos”, disse.

Ramos-Horta destacou o envio de centenas de médicos e profissionais cubanos para Timor-Leste e a formação de jovens timorenses em Cuba, desde o início da independência, considerando que a cooperação contribuiu para a formação de centenas de médicos timorenses e para o reforço da capacidade nacional de saúde.

Segundo o PR, a cooperação bilateral estendeu-se também à educação, nomeadamente através do programa de alfabetização Yo, sí puedo, que ajudou milhares de timorenses a adquirir competências básicas de leitura e escrita.

“Cuba não nos deu apenas assistência; ajudou-nos a formar pessoas”, referiu, considerando que a formação de profissionais timorenses constitui um legado que ultrapassa qualquer momento político.

Ramos-Horta recordou ainda a permanência de profissionais cubanos junto dos doentes e das comunidades timorenses durante períodos difíceis.

“A solidariedade não se mede apenas pelo que fazemos quando tudo está bem. Mede-se pelo que fazemos quando os outros atravessam momentos difíceis. Foi isso que Cuba fez por Timor-Leste”, declarou.

Preocupação com crise a económica e energética de Cuba

O Chefe de Estado manifestou igualmente preocupação com a situação económica e energética de Cuba, referindo os apagões repetidos, a escassez de combustível e as dificuldades no acesso a bens essenciais.

A situação, afirmou, está a afetar a população e a pressionar serviços fundamentais, incluindo a saúde e o abastecimento de água.

O PR defendeu ainda que o legado de solidariedade internacional associado a Cuba deve inspirar todos os que trabalham na cooperação entre os povos, na saúde, na educação e na defesa da dignidade humana.

“São essas pessoas — médicos, professores, técnicos, voluntários, trabalhadores humanitários e tantos outros — que transformam a solidariedade em ações concretas e aproximam os povos”, afirmou.

“É através deles que a amizade entre as nações se torna uma realidade”, referiu.

Fidel Castro nasceu a 13 de agosto de 1926, em Birán, Cuba, e morreu a 25 de novembro de 2016, em Havana, aos 90 anos.

Foi Primeiro-Ministro de Cuba entre 1959 e 1976 e, posteriormente, Presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros entre 1976 e 2008. Foi também Primeiro-Secretário do Partido Comunista de Cuba entre 1965 e 2011 e Comandante-em-chefe das Forças Armadas Revolucionárias durante décadas.

Equipa da Tatoli

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