Descoberta de fósseis raros reforça potencial geológico de Timor-Leste

DÍLI, 11 de agosto de 2026 (TATOLI) – O Instituto de Geociências de Timor-Leste (IGTL) descobriu, em julho deste ano, possíveis fósseis de pterossauro no Monte Lesululi, localizado no posto administrativo de Cailaco, em Bobonaro. A descoberta ocorreu durante a continuação dos estudos dos fósseis de ictiossauros encontrados anteriormente no mesmo local.
Segundo o Presidente do IGTL, Job Brites dos Santos, os trabalhos de investigação contam com a participação de equipas do IGTL, da Universidade de Uppsala, na Suécia, da Universidade de Oslo, na Noruega, e da British Broadcasting Corporation (BBC).
Segundo o dirigente, as amostras encontradas correspondem a parte da estrutura óssea da asa, sendo necessário realizar estudos mais detalhados para determinar as características do animal e a sua classificação.
“A amostra correspondente à asa já foi enviada para uma universidade na Suécia para ser estudada detalhadamente. Como existem diferentes grupos de pterossauros, o estudo dos ossos permitirá identificar as suas características e fazer a reconstrução do animal”, explicou.
Os pterossauros eram répteis voadores pertencentes ao grupo Pterosauria, que viveram durante a era Mesozoica, entre aproximadamente 228 e 66 milhões de anos atrás.
Apesar de terem coexistido com os dinossauros, os pterossauros não eram dinossauros; constituíam um grupo distinto de répteis adaptados ao voo.
O Presidente do IGTL explicou que a descoberta de fósseis de pterossauro num local onde também foram identificados ictiossauros representa um elemento relevante para o estudo da história geológica e paleontológica de Timor-Leste.
“É normal encontrar pterossauros em locais onde existem fósseis de ictiossauros. No hemisfério norte, os cientistas já observaram este tipo de associação. Em Timor-Leste, é a primeira vez que encontramos fósseis de pterossauro”, afirmou.
Segundo o responsável, uma das hipóteses levantadas pelos investigadores é que os pterossauros e os ictiossauros tenham frequentado a mesma área em determinado período.
Job Brites dos Santos explicou que os ictiossauros eram répteis marinhos que se alimentavam de organismos existentes no mar, enquanto os pterossauros eram animais voadores que poderiam sobrevoar zonas costeiras ou procurar alimento nas proximidades.
Contudo, salientou que a relação entre os fósseis encontrados ainda será objeto de estudo, não sendo possível, nesta fase, determinar com certeza as circunstâncias em que os animais morreram e ficaram fossilizados no mesmo local.
Após a conclusão dos estudos na Suécia, as amostras deverão regressar a Timor-Leste para serem integradas no trabalho de reconstrução dos fósseis encontrados no Monte Lesululi.
De acordo com Job Brites dos Santos, o IGTL pretende reconstruir os exemplares de ictiossauros e pterossauros encontrados no local e, posteriormente, exibi-los num espaço museológico. “O objetivo é fazer a reconstrução dos fósseis de ictiossauro e também do pterossauro, para que possam ser colocados num museu e visitados pelo público”, referiu.
O responsável considera que a descoberta representa um avanço para o conhecimento científico sobre o património paleontológico de Timor-Leste.
“Esta descoberta é muito importante, porque temos agora novas informações científicas. Antes encontrámos fósseis de animais associados ao ambiente marinho e agora encontrámos também um réptil voador no mesmo local”, explicou.
Recentemente, o IGTL colaborou com o Presidente da Rede Global de Geoparques, Artur Sá, durante uma visita a vários locais de interesse geológico em Timor-Leste, que terminou no Monte Lesululi.
Segundo o Presidente do IGTL, Artur Sá reconheceu o potencial de Timor-Leste para apresentar candidaturas de sítios de interesse geológico à Rede Global de Geoparques da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Job Brites dos Santos destacou ainda o potencial do Monte Lesululi para o desenvolvimento do turismo científico e para uma eventual candidatura de locais de interesse geológico à Rede Global de Geoparques da UNESCO.
“Esta questão é muito importante porque, quando apresentarmos estes sítios para candidatura à Rede Global de Geoparques, o Professor Artur Sá poderá avaliar os locais e apoiar o processo para que a candidatura possa avançar”, afirmou.
Para o dirigente, a valorização destes locais poderá contribuir para atrair visitantes interessados em ciência, geologia e paleontologia. “Os visitantes que procuram este tipo de património têm um interesse específico em conhecer os locais e os fósseis. Isso pode criar oportunidades para o turismo e beneficiar também as comunidades locais”, disse.
Segundo dados citados pelo responsável, existem atualmente 251 geoparques em 51 países, que atraem centenas de milhões de visitantes.
O Presidente do IGTL defendeu que Timor-Leste pode aproveitar o seu património geológico e paleontológico para desenvolver o turismo científico, criar oportunidades económicas e gerar benefícios para as comunidades que vivem nas áreas onde se encontram estes sítios.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

