Arte e música aproximam Timor Leste e Indonésia no Garuda Sakti Crossborder Fest 2026

ATAMBUA, 7 de agosto de 2026 (TATOLI) – Está a decorrer até ao dia 8, em Atambua, na província Nusa Tenggara Timur (NTT) o Garuda Sakti Crossborder Fest 2026, uma iniciativa promovida pelo Ministério do Turismo da Indonésia e pelo Banco da Indonésia.
O festival visa promover o potencial turístico da zona fronteiriça e reforçar as relações entre os povos de Timor‑Leste e da Indonésia. A iniciativa pretende aumentar o número de visitantes internacionais, sobretudo provenientes de Timor‑Leste, país que partilha uma fronteira direta com o município (Kabupaten) de Belu, bem como impulsionar o crescimento económico das comunidades através do turismo, da economia criativa e das micro, pequenas e médias empresas.
O Chefe do Departamento de Dados e Sistemas de Informação do Ministério do Turismo da Indonésia, Nova Arisne, afirmou que a posição de Belu como “varanda da Indonésia” desempenha um papel estratégico no reforço das relações com Timor-Leste.
“Com o Garuda Sakti Crossborder Fest queremos mostrar que as zonas fronteiriças não são apenas portas de entrada entre países, mas também centros de desenvolvimento do turismo, da economia criativa e da valorização das comunidades locais”, afirmou o dirigente durante a abertura do festival.
Segundo o responsável, a realização deste evento demonstra que uma iniciativa desta natureza pode fortalecer a cultura, promover a cooperação e, simultaneamente, dinamizar a economia regional.
Nova Arisne acrescentou que o Ministério do Turismo espera que o festival se continue a desenvolver como uma agenda de referência na zona fronteiriça, reforçando a amizade entre os dois países e trazendo benefícios concretos para as comunidades de Belu e das áreas vizinhas.
Reforço das relações Timor-Leste–Indonésia
O representante do Consulado de Timor-Leste na NTT, Bonifácio Belo, afirmou que o evento tem grande importância para o fortalecimento das relações bilaterais, sobretudo devido à proximidade e aos laços históricos existentes entre o povo timorense e as comunidades da zona fronteiriça da Indonésia.
Segundo o representante, a proximidade entre os povos dos dois países não se manifesta apenas através da ligação geográfica, mas também através dos laços familiares, da cultura, dos costumes, da música e da língua. “Por isso, esperamos que a realização deste festival possa fortalecer ainda mais as relações económicas e bilaterais”, acrescentou.
Por sua vez, o Administrador de Belu, Willybrodus Lay, referiu que o Garuda Sakti Crossborder Fest não é apenas um festival, mas também um símbolo de unidade, amizade e cooperação transfronteiriça. “Este festival é um espaço para reforçar ainda mais as relações de fraternidade entre a Indonésia e Timor-Leste”, afirmou.
A autoridade local de Belu espera que o festival contribua para o desenvolvimento do turismo, a promoção das micro, pequenas e médias empresas locais e da economia criativa, bem como para a melhoria do bem-estar das comunidades.
Willybrodus convidou ainda a população a não encarar a fronteira como uma zona que separa os povos dos dois países, mas como uma porta para o progresso e um espaço que liga as comunidades de ambas as nações.
Coros de Timor-Leste animam festival
A participação de Timor‑Leste no Garuda Sakti Crossborder Fest 2026 ficou também marcada por uma competição de coros religiosos envolvendo grupos dos dois países.
Anteriormente, o Ministério do Turismo da Indonésia convidou a Embaixada da Indonésia em Díli a facilitar a participação de representantes timorenses na competição. A Embaixada coordenou, posteriormente, com a Secretaria de Estado da Arte e Cultura de Timor‑Leste a seleção do grupo que representou o país.
Inicialmente, estava previsto que os representantes viessem das três dioceses de Timor‑Leste. Contudo, um dos grupos não conseguiu participar, pelo que foram enviados apenas dois coros: um da Arquidiocese de Díli e outro da Diocese de Baucau.
A Arquidiocese de Díli foi representada pelo Coro Santa Cecília, enquanto a Diocese de Baucau enviou o grupo coral da Paróquia Santo António de Lacluta, em Viqueque. Além disso, o Grupo Coral da Universidade Católica Timorense de Díli participou como grupo de animação cultural.
Os dois grupos de Timor-Leste competiram com três grupos da Indonésia, provenientes de Belu, Malaka e Timor Tengah Utara, totalizando cinco grupos participantes na competição coral.
A participação dos dois países através da arte e da música constitui uma forma de interação entre comunidades, contribuindo para o fortalecimento das relações sociais e culturais na zona fronteiriça.
A programação do festival inclui uma competição de coros religiosos com participantes da Indonésia e de Timor‑Leste, concurso de pintura, discursos para estudantes, debates públicos, mercado de produtos a preços acessíveis, bazar de micro, pequenas e médias empresas e concertos musicais.
Jornalista: Cidalia Fátima/Traduções: Equipa da Tatoli
Editora: Armandina Moniz

