PAM: El Niño pode agravar insegurança alimentar de mais 49 milhões de pessoas até 2027

DÍLI, 6 de agosto de 2026 (TATOLI) – O fenómeno climático El Niño poderá empurrar mais 49 milhões de pessoas para uma situação de insegurança alimentar aguda até ao final de 2027, segundo uma análise divulgada, esta quarta-feira, pelo Programa Alimentar Mundial (PAM).
De acordo com o PAM, o fenómeno deverá alterar os padrões de precipitação, provocar temperaturas mais elevadas e aumentar a frequência de secas e cheias em 45 países que já enfrentam graves dificuldades no acesso a alimentos. A maioria destes países localiza-se na América Central e na África Austral.
As projeções do programa indicam que, nestes países, o número de pessoas incapazes de satisfazer as suas necessidades alimentares diárias poderá aumentar cerca de 22%. O impacto do El Niño deverá igualmente fazer-se sentir na África Oriental, no Sul da Ásia e no Sudeste Asiático.
O fenómeno deverá atingir o seu pico entre setembro e dezembro de 2026. No entanto, os seus efeitos poderão prolongar-se ao longo de 2027, devido às perturbações causadas nos ciclos de produção agrícola.
O PAM alerta que as secas, as cheias e os episódios de calor extremo já estão a comprometer os meios de subsistência de milhões de pessoas, aumentando o risco de agravamento da fome nas comunidades mais vulneráveis.
Perante este cenário, o organismo disse estar a reforçar as medidas de preparação e a resposta para minimizar os impactos do fenómeno climático.
O Diretor-Executivo interino do PAM, Carl Skau, defendeu que o apoio antecipado às famílias vulneráveis é essencial para reduzir os efeitos das crises climáticas.
“Quanto mais cedo as famílias receberem apoio para se prepararem para os choques climáticos, maior será a capacidade de salvar vidas e proteger os meios de subsistência”, afirmou.
Desde maio, o PAM ativou planos de ação antecipada no Sudão do Sul, no Chade, na Mauritânia, no Uganda, na Guatemala e em El Salvador, mobilizando mais de 14 milhões de dólares americanos para apoiar cerca de meio milhão de pessoas.
As intervenções incluem o reforço de mecanismos de financiamento pré-estabelecidos, como seguros contra riscos de catástrofes, linhas de crédito e sistemas de pagamentos digitais, permitindo disponibilizar assistência de forma mais rápida e a custos mais reduzidos.
Atualmente, o PAM mantém planos de ação antecipada em mais de 50 países, trabalhando em parceria com os Governos para reforçar a preparação das comunidades face a fenómenos meteorológicos extremos.
Segundo Carl Skau, investir na preparação para secas, cheias e tempestades antes da sua ocorrência reduz significativamente as futuras necessidades de assistência humanitária.
A experiência de anteriores episódios do El Niño demonstra que cada dólar investido em medidas de prevenção e ação antecipada pode gerar uma poupança entre três e sete dólares em perdas evitadas e custos de resposta.
O PAM e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura apelaram ainda à comunidade internacional para reforçar o apoio às populações em risco, com o objetivo de proteger vidas, preservar os meios de subsistência e salvaguardar a segurança alimentar antes que a situação se agrave.
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Equipa da Tatoli

