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Semana Verde arranca com debate sobre Super El Niño, resiliência climática e economia verde

A Presidência da República deu início à Semana Verde, uma iniciativa integrada nas atividades paralelas da Maratona Internacional de Díli, com a realização do programa Horta Show, no recinto do Palácio Presidencial. Foto:PR

DÍLI, 4 de agosto de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, defendeu hoje que Timor-Leste deve reforçar a preparação para enfrentar os impactos de um episódio de Super El Niño, através de estratégias antecipadas que garantam a disponibilidade de água, protejam os recursos naturais e minimizem os efeitos das alterações climáticas.

A declaração foi feita durante o Horta Show, dedicado ao tema Super El Niño, Resiliência Climática, Ambiente e Economia Verde, que assinalou o arranque da Semana Verde, uma iniciativa integrada nas atividades paralelas da Maratona Internacional de Díli, realizada no recinto do Palácio Presidencial.

O programa foi conduzido pelo próprio Chefe de Estado, na qualidade de entrevistador, e contou com a participação do Diretor Nacional de Meteorologia e Geofísica do Ministério dos Transportes e Comunicações, Terêncio Moniz, do Chefe do Departamento de Conservação da Flora e Fauna do Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas (MAPPF), Pedro Pinto, e de um agricultor de Balibó, no município de Bobonaro.

Durante o debate, José Ramos-Horta frisou que Timor-Leste já enfrenta dificuldades no acesso à água mesmo em anos considerados normais, situação que poderá agravar-se com a influência do fenómeno El Niño.

“Mesmo num ano normal, sem El Niño, é difícil encontrar água para consumo. Com este fenómeno, considero que é necessário haver uma estratégia, com o Governo e os parceiros a prepararem-se nos municípios e nos postos administrativos, sobretudo nas zonas mais remotas, onde a população enfrenta maiores dificuldades de acesso à água”, afirmou.

O Presidente da República explicou que uma seca prolongada não significa apenas ausência de chuva, mas também períodos de temperaturas mais elevadas, com impactos na biodiversidade, na agricultura e no quotidiano das comunidades.

Ramos-Horta recordou ainda a situação na ilha de Jaco, no município de Lautém, onde alguns veados morreram devido à falta de água, referindo que o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, mobilizou bombeiros voluntários para transportar água para a ilha, numa tentativa de proteger a fauna local.

Segundo o Chefe de Estado, o objetivo do Horta Show é aproximar o conhecimento científico da população, permitindo que especialistas expliquem os riscos associados ao fenómeno e as medidas necessárias para preparar as comunidades.

Por sua vez, Terêncio Moniz explicou que o El Niño ocorre quando a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Central aumenta acima do normal, provocando alterações nos padrões climáticos à escala mundial.

Segundo o responsável, existem três fases principais: El Niño, La Niña e fase neutra. Atualmente, Timor-Leste encontra-se sob influência do El Niño, com os modelos meteorológicos a indicarem uma evolução significativa do fenómeno.

De acordo com o dirigente, os dados atuais apontam para uma subida de cerca de 1,9 graus Celsius acima da média da temperatura da superfície do mar, podendo atingir valores próximos dos três graus Celsius, um cenário associado a um episódio de El Niño de forte intensidade.

Contudo, esclareceu que Timor-Leste deverá continuar a registar precipitação até setembro, sobretudo na costa sul, embora em quantidades inferiores ao normal.

“O El Niño não significa que deixará de chover. Continuaremos a registar precipitação em algumas zonas, mas abaixo da média”, explicou.

Terêncio Moniz apelou ainda à população para não entrar em pânico, salientando que outros fatores meteorológicos continuam a influenciar o clima nacional e poderão permitir a ocorrência de chuva em algumas regiões.

Na mesma linha, Pedro Pinto explicou que o El Niño representa um desafio significativo para Timor-Leste devido à vulnerabilidade ambiental do país e à limitação dos seus recursos naturais.

Segundo o responsável, os principais impactos esperados incluem períodos de seca mais prolongados, redução das fontes de água e diminuição da produção agrícola, fatores que poderão comprometer a segurança alimentar.

Como medidas de adaptação, referiu que o MAPPF está a promover ações de reflorestação de áreas degradadas, recuperação de mangais nas zonas costeiras e conservação dos solos.

Pedro Pinto alertou ainda para o facto de Timor-Leste perder anualmente cerca de 1,7% da sua cobertura florestal, o equivalente a aproximadamente 14 mil hectares, devido à conversão de áreas florestais para outros usos, aumentando a vulnerabilidade do país a fenómenos climáticos extremos.

À margem do Horta Show, o Secretário de Estado das Florestas, Fernandino Vieira, afirmou à Tatoli que a proteção das florestas e da vida selvagem é essencial para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento nacional.

Segundo o governante, Timor-Leste deve continuar a promover uma relação harmoniosa entre o ser humano e a natureza, assegurando a conservação dos recursos naturais para as gerações futuras.

Fernandino Vieira explicou que, perante os possíveis impactos do El Niño, a Secretaria de Estado das Florestas está a reforçar ações de sensibilização junto das comunidades para prevenir queimadas, o corte ilegal de árvores e a caça à fauna selvagem.

O governante salientou que as queimadas contribuem para o aumento das temperaturas, reduzem a disponibilidade de água, provocam o desaparecimento de nascentes e podem afetar a saúde das populações. Acrescentou que as campanhas de sensibilização abrangem comunidades localizadas em zonas costeiras e noutras áreas vulneráveis, com o objetivo de proteger os ecossistemas terrestres e marinhos.

Por sua vez, a Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Henriqueta da Silva, explicou que a escolha do tema se prende com as previsões meteorológicas e científicas que apontam para a possibilidade de Timor-Leste enfrentar, num futuro próximo, condições climáticas semelhantes às registadas noutros países afetados pelo fenómeno.

Segundo Henriqueta da Silva, um episódio de El Niño de forte intensidade caracteriza-se por períodos prolongados de seca e pelo aumento das temperaturas, fatores que poderão afetar as comunidades, os recursos naturais e os ecossistemas do país.

“Escolhemos este tema com o objetivo de consciencializar a população para que esteja preparada quando este fenómeno ocorrer”, afirmou.

A responsável explicou que o Horta Show constitui uma plataforma de sensibilização pública, reunindo especialistas para transmitir informação à população sobre as medidas preventivas que devem ser adotadas para reduzir os impactos das alterações climáticas.

Além da preparação para os efeitos de um episódio de El Niño de forte intensidade, Henriqueta da Silva destacou que a iniciativa pretende também incentivar a proteção da natureza, em particular das florestas e da fauna selvagem, cuja degradação tem vindo a aumentar progressivamente.

Editora: OMM: El Niño poderá agravar fenómenos climáticos extremos entre agosto e outubro

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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