Top

Ramos-Horta defende economia verde e azul como pilares do desenvolvimento sustentável de Timor-Leste

O Presidente da República, José Ramos-Horta, fez a intervenção na abertura do programa da Maratona Internacional de Díli 2026 (DIM, em inglês), da DIM Expo e da Semana Verde. Foto da Tatoli/Egas Crostóvão

DÍLI, 6 de agosto de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, defendeu, hoje, que a economia verde e azul devem constituir os principais motores do desenvolvimento sustentável de Timor-Leste.

O PR alertou que o modelo económico assente nas receitas petrolíferas não poderá garantir, a longo prazo, o crescimento e a prosperidade do país.

O Chefe de Estado proferiu as declarações na abertura do Seminário “Economia Verde”, integrado no programa da Maratona Internacional de Díli (DIM, em inglês) 2026, da DIM Expo e da Semana Verde. A cerimónia contou com a presença de membros do Governo, representantes das instituições públicas, da sociedade civil, da academia, do setor privado e das organizações internacionais.

Ramos-Horta afirmou que a economia verde não deve ser vista como uma resposta às agendas internacionais, mas como uma estratégia nacional para diversificar a economia, reforçar a soberania económica e assegurar um futuro mais sustentável para as próximas gerações.

“O desenvolvimento sustentável traduz-se em comunidades rurais com novas oportunidades económicas, agricultores capazes de produzir com maior valor acrescentado, jovens com acesso a novas competências e empregos dignos, energias mais limpas, florestas protegidas, oceanos preservados e populações mais resilientes perante os impactos das alterações climáticas”, disse.

O PR salientou que Timor-Leste enfrenta o desafio histórico de diversificar a sua economia, lembrando que, embora as receitas provenientes do petróleo tenham permitido financiar importantes investimentos públicos, esse modelo não poderá sustentar indefinidamente o desenvolvimento nacional, num contexto de crescente transição energética e descarbonização da economia mundial.

Segundo Ramos-Horta, a verdadeira riqueza do país encontra-se não apenas nos recursos existentes no subsolo, mas também nas florestas, na biodiversidade, nas terras agrícolas, nas energias renováveis e nos recursos marinhos.

“A economia verde e a azul constituem, em conjunto, dois dos maiores ativos estratégicos de Timor-Leste”, afirmou.

O Chefe de Estado destacou igualmente a importância do mar para o desenvolvimento nacional, considerando que este sustenta milhares de famílias, protege uma biodiversidade única e oferece oportunidades nas áreas da pesca sustentável, do turismo, da investigação científica e da economia marítima.

Ramos-Horta defendeu que a proteção ambiental deve ser encarada como um fator de desenvolvimento, sublinhando que preservar os recursos naturais significa construir uma economia mais moderna, competitiva e preparada para enfrentar os desafios do século XXI.

Referindo-se à sua participação em diversos fóruns internacionais, incluindo o Fórum Económico Mundial, o PR reiterou a necessidade de uma transição energética justa e inclusiva, defendendo que os países em desenvolvimento devem ter acesso a financiamento, tecnologia e parcerias que lhes permitam responder às alterações climáticas sem comprometer o seu desenvolvimento económico.

No plano interno, apelou ao reforço das políticas públicas de incentivo às energias renováveis, à gestão sustentável dos resíduos, à economia circular, ao turismo sustentável, à agricultura biológica e à valorização dos produtos nacionais, com destaque para o café e outros produtos agrícolas de elevada qualidade.

O Chefe de Estado defendeu ainda que a juventude timorense deve estar no centro desta transformação, através do investimento na educação, na formação técnica e na qualificação de profissionais nas áreas de engenharia ambiental, energias renováveis, sustentabilidade, investigação científica e empreendedorismo.

Ramos-Horta concluiu afirmando que o futuro de Timor-Leste dependerá da capacidade do país em conciliar crescimento económico, justiça social e proteção ambiental.

“Temos os recursos. Temos a juventude. Temos a determinação. Cabe-nos agora transformar esta visão numa realidade”, concluiu.

Notícia relevante:Discurso do Primeiro-Ministro na apresentação do OGE 2026 no Parlamento Nacional

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

Publisidade

Leave a Reply

Latest Post

error: Content is protected !!