ONU alerta para aumento do tráfico humano destinado a alimentar redes de fraude online

DÍLI, 31 de julho de 2026 (TATOLI) – A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou para o crescimento do tráfico de seres humanos destinado a abastecer redes internacionais de fraude online, que recorrem à coação, às ameaças e à violência para obrigar centenas de milhares de vítimas a participar em atividades criminosas.
O alerta foi lançado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), no âmbito do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, assinalado a 30 de julho sob o lema Presos por detrás do esquema.
Numa mensagem divulgada para assinalar a data, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, classificou o tráfico de seres humanos como uma das mais graves violações dos direitos humanos e apelou a uma resposta internacional coordenada. O responsável defendeu o reforço da identificação e desmantelamento das redes criminosas, bem como o corte das suas fontes de financiamento.
Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, o tráfico de pessoas para fins de criminalidade forçada tem registado um aumento significativo. Se, em 2016, esta forma de exploração representava apenas 1% das vítimas identificadas a nível mundial, em 2022 esse valor subiu para 8%.
Os dados da ONU revelam ainda que, este ano, vítimas de 162 nacionalidades foram traficadas para 128 países. Cerca de 70% das pessoas investigadas, acusadas e condenadas por tráfico de seres humanos eram homens. As vítimas africanas continuam a ser o grupo mais afetado, representando 31% dos fluxos de tráfico transfronteiriço em todo o mundo.
As organizações internacionais explicam que este tipo de exploração ocorre quando pessoas são recrutadas, enganadas ou coagidas para cometer crimes em benefício das redes criminosas. Em muitos casos, o aliciamento começa em plataformas digitais, através de falsas ofertas de emprego dirigidas a candidatos com conhecimentos de línguas estrangeiras, competências digitais e experiência na utilização das redes sociais.
Depois de captadas, as vítimas são frequentemente forçadas a participar em esquemas de fraude online, mas também em outras atividades ilícitas, como furtos, tráfico de droga, fraude financeira e diferentes formas de criminalidade organizada.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, estima-se que mais de 300 mil pessoas estejam atualmente detidas em centros controlados por estas organizações criminosas.
Perante a expansão deste fenómeno, a OIM tem reforçado os apelos à prevenção, à proteção das vítimas e ao fortalecimento da cooperação internacional para combater estas redes. A organização lançou este ano a Estratégia Regional de Resposta ao Tráfico de Pessoas para Criminalidade Forçada na Ásia e no Pacífico 2026–2030, que prevê medidas para reforçar a assistência às vítimas, intensificar a cooperação entre Estados e consolidar parcerias internacionais.
No âmbito do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas de 2026, a OIM sublinha que todas as pessoas obrigadas a cometer crimes em centros de fraude devem ser reconhecidas como vítimas de tráfico de seres humanos, tendo direito à proteção, ao apoio e à assistência.
Equipa da Tatoli

